
Otto Dix, “Portrait of journalist Sylvia Von Harden”, 1926.
És uma pérola
Estavas lá Camarada!
Neste sonho em camadas
Perto e distante, ouvindo um rock selvagem e dissonante
Segurando umas conchas...
Salvando esta alma em chamas que oscila em cólera e cores
Oscila como o vento.
Camarada!
E só resta o silêncio perfurando
O ouvido esquerdo!
Que mistura o caos e a calma
deus e o diabo…
Ou uma repulsa involuntária
Do não necessário.
Camarada!
As abstrações do onírico trouxeram a sua companhia!
Os dias andam tenebrosos...
Neste cenário tropical-sórdido
Mesclam-se com as crônicas dores da salada do dia.
Camarada!
Na praia suspensa
Vimos três luas e o sol invertido!
Flutuamos...
Junto aos vários relógios do encanto e perigo!
Camarada!
O encontro estava fragmentado numa tríade...
Os olhos míopes sangraram com o abraço da despedida...
A corda sempre as trazem de volta e depois as levam sem Medida.
Camarada, tu sacas?
Escorre o azul desta dissolução
Forte tombo no quente asfalto
Massacrados pelo atropelo sem freio do caminhão!
Nas reminiscências que dispersam!
07. 07. 2017
In: Dissolução nos trópicos
