Indiretas sociais já

“Eis um exemplo do quão absolutamente errado é uma coisa que eu tenho a tendência de estar automaticamente certo sobre: tudo em minha experiência imediata apóia minha crença profunda que eu sou o centro absoluto do universo; a mais real, intensa e importante pessoa na existência.”

Essa frase foi dita por David Foster Wallace em discurso de graduação em 2005. Doze anos depois e ela ainda faz sentido. Talvez faça até mais sentido, com toda a valorização do eu que as redes sociais tem promovido nos últimos anos.

Hoje em dia, não tem graça fazer as coisas se ninguém estiver vendo. Facebook, Instagram, Snapachat criaram ferramentas para nos dar certeza de que estamos sendo vistos. Podemos saber quem nos deu like e quem visualizou nossos Stories e Snaps.

Tudo nessas redes é sobre a gente. É a MINHA vida, os MEUS amigos, o MEU trabalho. A gente vive mostrando o que estamos fazendo, onde estamos indo, o que estamos comendo, que bebê estamos visitando e com qual gato estamos brincando. Tudo bem porque, de um certo jeito, é pra isso que as redes sociais servem mesmo.

O problema acontece quando a gente acha que a vida das outras pessoas gira ao redor da nossa. Que eles não tem nada melhor pra fazer do que nos dar as famosas indiretas sociais.

Será mesmo que somos tão importantes assim que a única preocupação dos outros é incomodar a gente?

Olha, sinto lhe informar, mas não. Você não é tão importante assim. Nem eu, nem a suposta meliante das indiretas, nem ninguém. Tem vezes que um like é só um like. Outras, a pessoa realmente gostou daquela frase da Clarice Lispector e queria compartilhar. E sim, existem muitas músicas legais por ai e as pessoas podem compartilha-las apenas por isso, por serem boas músicas.

Você nunca vai saber o porque da pessoa ter postado o que postou. Então, meu ponto é: pra que se preocupar? E se por acaso aquele post ou Stories tenha sido realmente uma indireta pra você, o problema é da outra pessoa. Existe atitude mais infantil do que que essa? Pensa comigo. Tentar causar inveja e raiva com indiretinhas no Facebook? Cinco, seis Stories do seu lugar favorito?

Para.
Pra que, né?

Tudo bem, eu sei, essas coisas podem machucam. Ainda mais quando não são verdade. A gente sai como vilão sem ninguém saber todo o contexto direito. Ninguém gosta disso.

Mas quer saber?

No final, não importa o que os outros pensam. Essa é a maravilha do mundo. Você pode escolher as pessoas cuja opiniões importam. E sem contar que muitas das pessoas que a gente se preocupa em agradar ou acha que pensam na gente dia e noite, na verdade, não estão nem aí.

“Você vai ficar bem menos preocupado com o que as outras pessoas pensam de você quando perceber como elas pensam pouco em você.” — Graça Infinita, David Foster Wallace

Olha outra frase do David Foster Wallace que continua fazendo sentido. E essa é de 1996. Então, não se preocupe. Não fique caçando posts e pensando se são pra você. Vendo quem deu like e apoiou aquela indiretas já.

Esquece. Só você pode se ferir com o que os outros dizem de você. Deixe que digam, pois das duas, uma.

Ou a pessoa não deu indireta pra você e aí tudo bem.

Ou ela realmente deu a indireta. Nesse caso, você fecha o punho, levanta o dedo do meio e manda um belo foda-se.

Em vez de conversar com você ou simplesmente deixar pra lá, ela virou um Benjamin Button das indiretas sociais. Regrediu anos de maturidade, aprendizado e paz interior só pra poder postar um frase de duplo sentido pra meia dúzia de pessoas. Muito provavelmente, essa meia dúzia vai curtir e se achar o máximo. Mas quem se importa com elas?

Só por essa atitude infantil, a pessoa já não deveria ser importante na sua vida. E se ela não é importante, não importa o que ela diga, certo? Seja sobre o show do Maroon 5, seja sobre você.