METAMORFOSE

Como um selo
ou
maldição,
o corpo
antes
célere e forte 
se move agora 
lento
frouxo 
flácido

vestindo a velha 
fantasia da coragem,
pula
reteza
contorce
e
em plena metamorfose,
se arrepia!

O fel 
 feito faca afiada
corta amargo
em sua boca 
ruminante
e
transforma
em saliva doce 
o veneno que mata
toda dor e toda raiva
que abraça
e abrasa
aquele palavrão 
do cotidiano!

Sem aquele
olhar fera 
e
lince de outrora,
é metade lobo,
é metade homem,
é só um lobisomen
preso
na armadilha 
do tempo
agora!

E preso nessa
estranha
metamorfose 
o corpo, cansado,
cumpre o roteiro
permanente
de seu destino
e
sem mais eriçar os pelos
e nem ranger os dentes,
se entrega,
assim, de repente,
doce e manso
como um
cordeiro!