
Relacionamento aberto, responsabilidade afetiva e monogamia.
Confesso que levei alguns muitos meses para ter a informação necessária e coragem para fazer esse texto.
Talvez porquê a opinião e os assuntos tratados nele são, estranhamente, polêmicos para algumas pessoas.
Digo que é estranho pois, quando o assunto é amor, formas diferentes não deveriam causar estranhamento. Mas, só em tese, né?
Certa vez me perguntaram se eu teria um relacionamento aberto. Eu, que a maior parte da vida fui uma pessoa ciumenta e que, se apaixonada, nem sequer olhava para outra pessoa na rua.
E sim, eu teria — Aliás, no momento, eu teria SOMENTE um relacionamento aberto — Talvez “eu” de alguns meses atrás acharia isso totalmente bizarro e imoral.
Mas então… por que eu teria um relacionamento aberto e no meu entender: O que é um relacionamento aberto?
Creio que a verdadeira definição de amor, seja um sentimento puro e libertador.
Lembro quando estava no colegial e tinha aulas de filosofia. No começo de todas as aulas fazíamos a chamada Oração da Serenidade. E, um dia, tivemos que de fato, interpretar a oração.
“ Concedei-me, Senhor a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não posso modificar.
Coragem para modificar aquelas que posso e
Sabedoria para diferenciar uma das outras
Só por hoje”
O professor pediu então, que listássemos as coisas que não podemos mudar. E, entre elas, eu escrevi: as pessoas.
Entenda, de algum lugar tiramos que posse e ciúmes são sinônimos de gostar de alguém.
Que para alguém estar ao nosso lado, essa pessoa deve ser moldada de acordo com nossas expectativas e pelos nossos “moldes de relacionamento” a.k.a protocolos.
Se essa pessoa não tem olhos só e somente para você, ela é uma traíra egoísta filha da puta e sem coração.
Veja bem, acredito que somos livres. Para tudo na vida. Se alguém quiser beijar, transar ou apenas achar alguém bonito enquanto estiver num relacionamento, a pessoa FARÁ isso. Você aceitando ou não.
Então, o que seria esse tão famoso relacionamento aberto no MEU ponto de vista?
Um relacionamento onde há amor. Simples assim. E que, não há necessidade de prender alguém, nem de rejeitar alguns sentimentos.
Não é porque admiro alguém que deixo de amar outro alguém.
Não é porque tenho um relacionamento aberto que, de fato, me relacionarei com outras pessoas. Porém, tenho um relacionamento em que meu parceiro me entende como um ser livre e, caso eu queira fazer tal coisa, ele esteja ok com isso.
Mas então, acho meio difícil falar sobre relacionamentos abertos sem citar responsabilidade afetiva e monogamia.
O que seria essa tal responsabilidade afetiva?
Basicamente, a responsabilidade afetiva é quando você se responsabiliza por eventuais sentimentos que você desperta em alguém.
Basicamente, quando você deixa tudo muito claro via DIÁLOGO.
E essa palavrinha, acreditem: É a chave de todos os relacionamentos.
A soma da falta de diálogo e as expectativas que criamos sobre alguém/algum relacionamento resulta num possível “quebra-cara”
Mas, por quê?
Seria extremamente ingênuo e otimista dizer que, todas as pessoas com que nos relacionamos amorosamente realmente se importam com o nosso psicológico.
Basicamente, algumas pessoas ficam com você por algum motivo X e depois desaparecem sem nem dar um tchauzinho.
As famosas intenções. Não há segundas intenções, apenas intenções.
E, acredite, essa situação é um verdadeiro ganha-ganha. Tanto para a pessoa que “iludiu” quanto para a “iludida”
A pessoa que te ilude conseguiu o que queria e você que foi iludido conseguiu se livrar do que você não queria.
Acho que num geral, responsabilidade afetiva está muito mais ligada à um sentimento monogâmico onde você tem a expectativa de que essa pessoa fique somente ao seu lado e que, eventualmente, vocês namorem.
Porém, não deixa de estar ligado ao relacionamento aberto também.
E onde entra a famosa palavrinha DIÁLOGO em tudo isso?
Basicamente, eu REALMENTE espero do fundo do meu coração que você se conheça a ponto de saber o que você quer e o que você NÃO quer.
Dessa forma, se você quer um relacionamento monogâmico e seu crush não, você:
1. Pega sua bike
2. Vai embora
Mas, para você ter essa atitude, você precisa saber o que a outra pessoa quer. E adivinha como? DIALOGANDO.
Parece extremamente fácil, mas não… não é!
E sabe por quê? Porque ter a coragem de falar isso abertamente para alguém, é difícil. Ainda mais se isso levar essa pessoa pra longe de você.
Sinceramente, acho que ser uma pessoa totalmente transparente e que não faz absolutamente NENHUM joguinho é difícil. Encontrar alguém assim, tem o mesmo grau de dificuldade.
Portanto, no final das contas o grande problema está de mãozinhas dadas à duas palavras: amor próprio e auto-conhecimento.
Amor próprio?
Amor próprio para você ter total entendimento de como quer ser tratado e o que tolera OU NÃO.
Auto-conhecimento para saber o que quer e o que não quer.
No fim, se todo mundo fizer direitinho, dá certo.
Vai por mim!
