Val: 05/2070

Talvez uma das coisas que mais me consolam no mundo é o fato de que tudo possui validade. Seja uma felicidade imensa ou uma dor insuportável.

Tudo é passageiro, as pessoas vão embora, assim como os trabalhos, a raiva, a angústia e a vida.

Nada fica pra sempre. Você não mora pra sempre na mesma casa, nem na mesma cidade. Você não será “você” pra sempre. Não terá seus pais para sempre. Nem sua sorte, tampouco seu dinheiro.

Tudo possui validade, uma data predestinada onde tudo acaba. Seja em lágrimas ou não.

Isso é uma verdade incontestável, uma vez que vivemos e morremos. E, automaticamente, isso aquece meu coração nas noites mais frias de inverno… Porque é a certeza de que a primavera já vem.

Talvez isso se interligue à minha ideia de deixar fluir, deixar ir e não se preocupar tanto com sentimentos que machucam, ardem ou enfurecem. Sentimentos que lhe fazem mal.

Assim lido com as pessoas que cruzam minha vida e tentam me fazer algum mal. Indiferença. Porque, na minha vida, essas pessoas tem prazo de validade.

Entenda, não há porquê perder tempo e energia em algo vil quando algo incrível também possui esse prazo. Desse modo, todas as minhas energias são gastas para coisas produtivas, positivas e do bem.

Não, eu não gosto de brigar, não gosto de discutir e nem de pensar demais.

Não gosto de tentar rebater argumentos que eu sei que nunca irão penetrar meus ideais e nem meus valores. Que esses são inerentes.

Mais uma vez, a validade me faz viver. Respirar e me sentir viva.

Pelo simples fato de que a mesma que me traz oxigênio, um dia irá arrancá-lo de meus pulmões. Não impiedosamente, mas naturalmente, assim como tudo flui, tudo vive, tudo morre, tudo acaba.

Prazos de validade.

Prazos de validade estimulam e confortam. Duvidável você não conhecer ninguém que um dia lhe perguntou o que você faria caso expirasse amanhã. Vencesse. Como uma lata de tomates na prateleira.

Conforto, perda, intensidade, oxigênio.

Talvez seja sobre isso que a vida é.

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