MBV: Música Brasileira pra Viajar
Escrita sincera sobre 12 canções que me movem pra outros lugares

- Errare Humanum Est (Jorge Ben Jor)
Na real, todo o Tábua de Esmeralda, CD do Jorge Ben que carrega essa música, é uma enorme viagem. Errare, que considero uma das melhores do álbum, é feita de ecos e contagens regressivas que vão nos (e)levando para outras galáxias num crescendo delicioso. Pra voar.
2. Vapor Barato (Gal Costa)
Assim como Errare, esta música está dentro de um dos melhores CDs de música brasileira de todos os tempos, na minha humilde opinião. Vapor Barato é daquelas canções que soam melhor quando ouvidas na solidão - apesar de sempre vir acompanhada de uma dor enorme e oca. Para uma viagem completa, ouvir em seguida Sua Estupidez e Como 2 e 2. Pra chorar.
3. It’s a Long Way (Caetano Veloso)
Mais um CD delícia que torna difícil a escolha de uma faixa só. It’s a Long Way é pra enrolar a língua cantando, é pra rebolar e também pra se surpreender com o borogodó que vai tomando conta da música, da cabeça da gente, dos braços, da pernas… Pra sentir.
4. Grains de Beauté (Céu)
Porque depois que ela fala “…a encontrar o caminho de casa” o joelho da gente se quebra, a pedrada é grande e a gente se derrete. Uma música sobre a delicadeza do amor numa das vozes femininas mais sensuais da ~nova MPB~. Pra amar.
5. Jamburana (Dota Onete)
A viagem aqui é dançante e malemolente. De uma musicalidade incrível, misteriosa e um tantinho assustadora, Jamburana é pra descer e subir acompanhando a evolução dos instrumentos musicais. Sem condições. Essa é pra incorporar, nada menos que isso.
6. Milagreiro (Cássia Eller e Djavan)
O encontro de duas vozes potentes e únicas. Potentes não apenas no sentido de uma potência vocal, mas na capacidade que têm de transmitir o som inaudível que a música também revela. Aqui a viagem atravessa a harmonia dos instrumentos, que intuo flertarem com a música flamenca espanhola, até chegar na gente. Pra refletir.
7. Víbora (Tulipa Ruiz)
Em Víbora, Tulipa Ruiz está dentro de uma das músicas que melhor abriga a sua voz. Eis que, enquanto escrevo isso, percebo que tem violino na música: um instrumento que, como Tulipa, tem uma sonoridade ao mesmo tempo gasguita e delicada. Perfect match! Pra rasgar.
8. Tudo Que Você Podia Ser (Quarteto em Cy)
Sim, a original de Milton Nascimento e Lô Borges é incrível (concordemos que a voz de Milton Nascimento é sempre uma boa viagem; concordemos também que o Clube da Esquina é outra viagem), mas recomendo fortemente a versão cantada pelo Quarteto em Cy, que é linda e psicodélica, em grande parte pela sobreposição das quatro vozes. Pra transcender.
9. Neverland (Anelis Assumpção e Céu)
Uma combinação que deu certo, com os arranjos certos. Confesso que não sou lá muito fã de Anelis (já não posso dizer o mesmo de Céu, hehe), mas essa música… Essa música... Pra se entregar.
10. Lamento Sertanejo (Dominguinhos)
Porque sanfona é feita pra chorar. E quanto mais choro, maior é a viagem. Sim, forró também cabe nessa lista, e a escolhida aqui é a melhor de todas, Lamento Sertanejo, que caberia muito bem num combo com Tenho Sede, diga-se de passagem. Pro vídeo abaixo, escolhi essa versão cantada por Mayra Andrade (cabo-verdiana que podia muito bem ser brasileira, hehe) acompanhada dos músicos (brasileiros!) Yamandu Costa e Hamilton de Holanda. O vídeo é fragmento do documentário Dominguinhos (2014), e nele o cantor se enche de lágrimas, é lindo! Pra se emocionar.
11. Juízo Final (Nelson Cavaquinho)
Uma delícia de samba. Eu poderia escolher Cartola, mas preferi representar com Nelson. Uma música simples com tanta verdade, tanta fé e tanta esperança numa voz tão dolorida e tão enrugada que a viagem aqui é pra sofrer.
12. Fala (Secos & Molhados)
Profundo, sedutor e andrógino como só Ney Matogrosso pode ser. É ouvir a música e pensar numa dança, num ritual, numa performance. E, mais recentemente, é pensar também na cena de A Procura da Eternidade (2014), protagonizada por Irandhir Santos. Pra delirar.