
Começou o tiroteio e eu fui deitar no chão, mas estava tendo enchente
Tive que boiar e a TENSÃO superficial da água me segurou, porque enquanto eu deitava passou um bloco de carnaval
Em cima de mim, em cima da água, e de baixo pra cima eu via a purpurina sambar
Pareciam uns vaga-lumes que vi no Sana, o que me lembrou que eu estava insana por estar deitada, o tiroteio acabou
Tinha música, mas tinha grito, não sei, talvez fosse comício, ou showmício, é difícil saber às vezes
Quando levantei era showmício mesmo, que brigava com a marcha pra Jesus, já esses últimos não andavam pelas águas
Fui comprar cerveja, mas estava quente porque o Museu está pegando fogo, esquentou o Rio
Não chegou gelo, os caminhões pararam na BR, ninguém entra, ninguém sai, repito: ninguém entra, ninguém sai
E recomeça o bloco, que esse ano vai andar até a quinta, tá sabendo? É secreto, só pros chegados
Até a quinta feira e até a quinta da boa vista, vai ser bloco-ato
E AI de quem lembrar que ontem era quarta feira de cinzas, não quero saber de ontem, não quero saber de cinza
Vamos abraçar o museu, porque ele precisa e porque a gente já bebeu
Batendo a polícia, a gente corre pelo túnel, que tá com iluminação de LED nova, vai ser catarse pura
E recomeça o tiroteio.
