De janeiro a dezembro

O Rio

Raquel Carvalho
Sep 5, 2018 · 2 min read

Começou o tiroteio e eu fui deitar no chão, mas estava tendo enchente

Tive que boiar e a TENSÃO superficial da água me segurou, porque enquanto eu deitava passou um bloco de carnaval

Em cima de mim, em cima da água, e de baixo pra cima eu via a purpurina sambar

Pareciam uns vaga-lumes que vi no Sana, o que me lembrou que eu estava insana por estar deitada, o tiroteio acabou

Tinha música, mas tinha grito, não sei, talvez fosse comício, ou showmício, é difícil saber às vezes

Quando levantei era showmício mesmo, que brigava com a marcha pra Jesus, já esses últimos não andavam pelas águas

Fui comprar cerveja, mas estava quente porque o Museu está pegando fogo, esquentou o Rio

Não chegou gelo, os caminhões pararam na BR, ninguém entra, ninguém sai, repito: ninguém entra, ninguém sai

E recomeça o bloco, que esse ano vai andar até a quinta, tá sabendo? É secreto, só pros chegados

Até a quinta feira e até a quinta da boa vista, vai ser bloco-ato

E AI de quem lembrar que ontem era quarta feira de cinzas, não quero saber de ontem, não quero saber de cinza

Vamos abraçar o museu, porque ele precisa e porque a gente já bebeu

Batendo a polícia, a gente corre pelo túnel, que tá com iluminação de LED nova, vai ser catarse pura

E recomeça o tiroteio.

Raquel Carvalho
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