Não perdemos só empregos, mas também o significado no trabalho

Hoje, dia 15 de março de 2016, com um cenário político bastante desfavorável talvez não ainda não demos conta o que as gerações futuras passarão em relação ao mercado de trabalho no Brasil.


Não sou economista, não sou expert em educação, sou mãe de uma filha de 24 anos de idade que começa agora no mercado de trabalho. Sou mentora de carreira, psicóloga, trabalhando com muita gente que perdeu seu emprego e busca um novo rumo.

Quando leio hoje no Terra que a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos atingiu 19,4% no fim de 2015, enquanto a média nacional ficou em 9%, me assusta. Mais ainda: os impactos negativos de uma geração perdida serão sentidos por pelo menos 40 anos. Ou seja, toda a vida profissional dessa faixa etária estará comprometida.

Agora vamos somar a este quadro um outro que considero bastante saudável: a maioria das pessoas que hoje trabalham não querem mais somente um emprego, querem um trabalho que tenha um significado para a vida delas.

Principalmente esta geração que está chegando ao mercado, cansou de ouvir das empresas para se engajarem, vestirem a camisa, para eles isso não cola mais (Nada contra todos os bons movimentos empresarias, fui RH por 20 anos).

Eles querem ser desafiados, querem buscar sua identidade, querem ser reconhecidos.

E não há como dizer que eles não querem assumir responsabilidade, que querem só fazer o que gostam, definitivamente não.

Esta geração sem emprego garantido, num mercado cada vez mais competitivo, mesmo assim, luta por sair da cama por algo que valha a pena, que faça sentido, que tenha um propósito.

Isso me anima, porque acredito que eles vão sacudir a poeira e fazer a diferença para construção de um mercado, uma sociedade mais justa onde os valores serão, talvez, mais importantes do que a soma de dinheiro e a garantia de um emprego no final de cada mês.

Que assim seja!