Bem-te-vi

Bem-te-vi canta um pássaro que eu nunca vi.
Da sacada de casa, eu sinto mais claridade que em todo o interior.
A brisa gelada que bate não me abraça, mas me desperta.
Me desperta pra um novo eu, de perdão.
Se olhar bem para o céu, vai ver que o vento que há hoje no mundo é todo o meu peito
Que bate sinos de silêncio 
Que não ecoam pra lugar nenhum. 
A minha arte é falha, como qualquer outro ser humano que já atravessou a terra.
Mas a minha arte acaricia o velho vazio que guardo no peito.
Respeito o vazio que me acompanha e que me trouxe até aqui.
Sou pedra hoje, pó amanhã. 
Assim como qualquer outro ser. 
Mas sou pedra dos olhos de poeta: Não confunda com inanimação ou dor.