Uma retrospectiva de 2017

Dois mil e dezessete. O décimo oitavo ano de vida e um novo começo. Primeira semana de janeiro ainda por recuperar da paralisia facial e por tentar acalmar a ansiedade de um coração acelerado para o aniversário. Porquê fazer aniversário é mágico. E eu não estava de fato totalmente preparada depois do que havia passado nas duas últimas semanas. Mas, na vontade de Deus, tudo aconteceu como precisou que fosse. Janeiro foi intenso. Fisioterapia, academia e minha primeira consulta com o psiquiatra. Como se já não bastasse o nervosismo comum, ainda por me preparar para o fim do mês. O resultado tão esperado do vestibular. 2016 foi um ano de excessos em que foi preciso me desdobrar, virar duas (às vezes três) e conseguir ir atrás do meu sonho. E no penúltimo dia do mês, chegou a realização desse desejo. Eu passei. O curso dos meus sonhos de criança e na universidade que eu esperava um dia fazer parte. Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Minas Gerais.

E assim, verdadeiramente 2017 começou pra mim. Fevereiro passei por algumas perdas. Não perdas eternas, mas temporárias. Meus amigos e namorado já estavam por morar nas respectivas cidades das respectivas universidades e eu ainda estava no interior a esperar pela hora de mudar para a capital mineira. Passei por momentos em que a minha energia era mínima. A tristeza consumia todo o meu corpo e foi difícil me acostumar com a rotina vazia.

Em março as coisas começaram a mudar. Uma oportunidade surgiu e mudou aquele cotidiano frio e desocupado que eu estava vivenciando. Em abril me preparei para despedir (por um curto período) do Brasil, da minha família, dos meus amigos. A páscoa passou e dia 21 de abril segui meu rumo para conhecer Nova York. Foram 76 dias quentes e cheios. Fácil é de longe a última palavra que eu procuraria para descrever essa temporada, mas a dificuldade fez valer a pena. Aprendi a lidar com pessoas singulares, com línguas diferentes, com costumes novos e com lugares antes desconhecidos. Aprendi a amar minha companhia quando foi necessário e quando precisei somente dela para resistir. Aprendi a ser cada vez mais independente e a conseguir lidar comigo melhor. Aprendi na prática que se a vida te deu limões, faça sim uma deliciosa limonada.

Em junho passei por novos fins. O término de um relacionamento e a perda dolorosa de um primo querido. Não tive o colo da minha mãe, o abraço do meu pai ou o carinho do meu avô. Nesses momentos aprendi a lidar com o sentimento de solidão. Em julho me despedi do solo americano agradecida por tudo que pude viver e conviver naquele lugar. Fiz amigas incríveis em Nova York, conheci pessoas maravilhosas e vivi experiências surpreendentes, mas chegava a hora de voltar para casa.

A chegada ao Brasil foi corrida. Duas semanas em Timóteo, mas dias intensos de preparação para a mudança. Dia 22 de julho mudei definitivamente para Belo Horizonte e comecei uma nova etapa longe de todos que deixei na minha cidade. Dia 31 entrei pela primeira vez no campus da UFMG para realizar a matrícula. Definitivamente concretizado o sonho de fazer parte desse lugar.

Em agosto começaram as aulas. Conheci pessoas encantadoras mas pela primeira vez eu não me senti parte de um espaço. As três primeiras semanas foram duras. O choro era constante e o sentimento de solidão amedrontava novamente. Mas eu consegui me manter firme e a não desistir. Os dias passaram, as semanas sucederam e os meses aconteceram e morar na capital deixou de ser um pânico e passou a ser um prazer. Aliás, essa transição ainda está em processo. Fiz novas amizades e fortaleci antigos amigos que me ajudam a ter forças nesse imenso mar de novidades.

Alcancei inúmeros sonhos e desejos em 2017. Conheci Nova York, Diamantina, Mariana e São Paulo. Descobri Inhotim (duas vezes) e explorei o MASP. Voltei a Catas Altas e me firmei em Belo Horizonte. Assisti a Sir Paul McCartney e Bruno Mars ao vivo e a cores. Fui pela primeira vez ao Estádio Independência, ao Morumbi e ao Mineirão. Sorri, gritei, amei, desamei, compreendi, falei, ouvi, abracei, beijei, pulei, tatuei, agradeci e chorei. Chorei de tristeza, de alegria e de emoção. Mas o mais importante, eu VIVI.