Forma e conteúdo

Às vezes penso em mim escrevendo por escrever.

Priorizando a forma ao conteúdo. Apenas querendo ver uma mancha de texto numa folha em branco.

Tanto faz se apenas digito as letras do alfabeto em sequência ou se fico escrevendo lorem ipsum sem parar. Ficar batendo os cotovelos no teclado enquanto apoio o queixo em minhas mãos também é uma opção atraente, embora não muito confortável.

Uma folha, duas folhas, infinitas folhas são preenchidas. Tais quais numa animação de calendário, as páginas vão virando e voando.

Tipo isso, só que mais rápido e com direito a mais meses

Sinto-me enérgica, focada. Estou no fluxo e daqui ninguém me tira.

Que produção maravilhosa, que grande escritora eu sou! Não que o texto faça algum sentido ou conte alguma história, mas ainda assim, olhe quantas páginas!

Não é bonito de se ver? Tenho folhas suficientes para jogá-las para o alto e ficar dançando sob elas enquanto caem graciosamente por uns 5 minutos.

Preciso anotar essa história amanhã quando acordar. Meu corpo já achou a posição confortável na cama da qual não pode sair, caso contrário irá perdê-la para sempre. Além disso, também já estou no estágio 1 do sono. Não vale a pena levantar, dessa vez eu vou lembrar.

Mas qual era a ideia mesmo? Forma e conteúdo. O conteúdo não interessa, isso. Mas a forma… ah! a forma.