“As Forças Encantadas, Dança e Ritual entre os Pankararu”

No dia do Flechamento do Umbu
Nas Corridas de Umbu dançando o Toré com a Cansanção
A ortiga Cansanção
As Mulheres apanhadoras de umbu
O Toré nas corridas do Umbu
Os Cestos dos dançadores nas corridas
O Menino, a noiva do Menino, as Madrinhas, os padrinhos e os encantados
Os praiás na luta pelo Menino
s mulheresAs obrigações com o Ajucá
As Mulheres mães de Praiás

“ As Forças Encantadas, Dança e Ritual entre os Pankararu”
Ensaio Fotográfico de
Renato Athias & Sarapó Pankararu
com as fotografias de Carlos Estevão de Oliveira, 1937

Laboratório de Antropologia da UFPE — Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE e Museu do Estado de Pernambuco

“Força Encantada, Dança, Festa e Ritual entre os Pankararu” é um ensaio fotográfico elaborado a partir do acervo de imagens de Carlos Estevão de Oliveira, do Museu do Estado de Pernambuco, no âmbito do projeto intitulado: “Povos Indígenas de Pernambuco: Memória, Documentação e Pesquisas” do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade (NEPE) da Universidade Federal de Pernambuco.

Estas fotografias foram realizadas pelo pesquisador Carlos Estevão no ano de 1937quando esteve nas terras Pankararu e quando iniciou seu trabalho etnográfico com esse Povo. As fotos foram selecionadas para mostrar a relação dos Pankararu com a dimensão do sagrado, a relação deles tem com as forças encantadas nas aldeias onde vivem no município de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia no sertão do sub médio Rio São Francisco.

Os Encantados são entidades que fazem parte da cosmologia Pankararu. Eles estão presente em toda a terra indígena e agem como intermediários entre aqueles que estão na terra, que fazem parte do mundo humano com a entidade maior que não está presente nessa terra. Essa relação se efetua em diversos momentos num calendário rico e dinâmico nos “terreiros” (lugar público onde o sagrado estabelece relação com as pessoas desse mundo) das diversas aldeias Pankararu. Nesses terreiros os “Praiás” que são entes que tem o nome próprio, especifico e, que devidamente vestidos, cada um com o seu uniforme, feito exclusivamente da fibra do “caroá”, estes se manifestam publicamente para as pessoas presentes. O praiá é um personagem mitológico que se encantou tornando-se um intermediário das forças vitais para a movimentação e a dinâmica ritualística do mundo Pankararu. Esses encantados vão estar presentes nas festas e cerimonias rituais dos Pankararu durante o ano.

A mais importante manifestação religiosa Pankararu trata-se das “Corridas do Umbu”. É onde o ano se inicia, depois das trovoadas de janeiro, já iniciando as plantações após as primeiras chuvas, Com o aparecimento do imbu, como eles dizem, os detentores de saber vão escolher o dia para o “flechamento” do primeiro umbu que aparece. No final de semana logo após o dia esse flechamento iniciam-se as corridas, que são movimentada em dois principais terreiros: o do Brejo dos Padre e o da Serrinha. E durante 4 finais de semana os Pankararu se ajuntam nesses terreiros dançar os torés, se queimarem com as ortigas de cansação e sobretudo para buscarem a força encantada para o ano. Essa festa se inicia na madrugada do sábado, tanto na Serrinha quanto no Brejo, com a alembrança de todas as possibilidades de vida e a lembrança nas dnaça de humanos e animais num conjunto correográfico imponente onde os praiás através de um ritmo especial vão relatando as forças e as belezas dos animais em um ritmo onde contamina e produz uma enorme alegria da relação entre humanos e não humanos nesse mundo presente. Essa festa termina no quarto final de semana com a saída do “Mestre Guia” chefe de todos os encantados. A saída do Mestre Guia, no terreiro apropriado, na Serrinha, é visto por todos com muita consternação e que se identificam com parte da identidade Pankararu. Este é recebido com muita alegria em uma cerimônia onde o silencio é parte fundamente para o recebimento dessa força.

As outras festas entre os Pankararu são realizadas e um calendário que não é fixo. O ritual do “Menino-no-Rancho” é uma manifestação onde todos os Pankararu são chamados a participar. Envolve um considerável trabalho de logística e de organização tem um caráter de iniciação e representa a proclamação pública de uma clara intervenção de um encantado em menino. Os pais dos menino precisam organizar esse ritual que dure pelo menos uma noite e um dia completo. Os pais do menino precisam buscar uma quantidade muito grande comida oferecer a todos os convidados que as vezes ultrapassa a 500 pessoas. Os pais do menino vão convidar uma noiva e duas madrinha para o menino, bem como vão arregimentar maior número de padrinhos possível. A noiva vai dançar com o menino acompanhado pelas as duas madrinhas. Os padrinho vão ter um papel importante num momento de luta com os pais para garantir que o menino possa ficar nesse mundo. Uma luta entre os céus e a terra onde menino será guardado pelos padrinhos. Essa luta pode durar uma tarde inteira. Ao terminar essa luta o menino será enfim guardado por um dos praiás que o passará a proteger por toda a vida.

As festas são organizadas por famílias zeladoras de Praiás, pois cada uma das famílias possuem um número de Praiás. Essas famílias organizam os espaços (Poró) onde os Praiás são guardados, e onde certas obrigações são realizadas de forma a manter a força encantada viva entre os membros da família. Em todas as obrigações estão presente as ervas, o fumo encantado (tabaco aromatizado de preparo exclusivo para as forças encantadas) e o vinho de ajucá (bebida preparada da jurema) como sinal do respeito ao sagrado vistos como vegetais de sustentação do mundo em que vivemos.

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