Siameses condenados pela corte da graça

O desempenho e o desespero entrelaçaram com firmeza opar esquerdo de seus braços, deixando os destros livres para balançar espasmos de equilíbrio.Seus pés descansavam paralelos contornando o tornozelo ao final do horizonte. Dividiam assim os hemisférios do imenso pilar.

Os joelhos sustentavam flexionado durante seu descanso. Conduzindo refrescantes correntes de vento que se espalhavam por todo seu corpo.

Mais abaixo esticava-se a outra perna, pernas muito respeitosas,que diariamente se colocavam a encarar nos olhos o abismo sem fraquejar. O tempo expunha-os ao cansaço e a rotina revezava as tarefas nos polos de cada corpo.

Os esforçados aprendizes aguardavam a próxima chuva.

Empunhado pelo seus pés inferiores um cesto de palha, uma muda de orquídea e um ajeitadinho de terra escura fértil. As coloridas sentiam sede enquanto a chuva não vinha mas cresciam sob caricias do caminho mais antigo conhecido pelo vento.

Os dois equilibristas se fixavam seus olhares incessantemente e em momentos raros sincronizavam a respiração. Depois, sem demora, chegava chuva para refrescar o calor de suas tensões musculares. A água gelada e salgada revitalizava as plantas.

Ambos acreditavam que um dia não precisariam mais se submeter a esta árdua jornada. Assim que as flores já estivessem prontas para serem entregues