‘Artivistas’ e suas soluções criativas para a crise dos refugiados

Primeira plataforma de resgate aos imigrantes é colocada em pleno mar Mediterrâneo.

Foto: Nick Jaussi | www.politicalbeauty.de.

Nessa semana (13 de outubro de 2015) fui surpreendido por uma notícia compartilhada na página pró cultura livre Baixa Cultura.

O referido artigo, do site Focaliza la Atencíon, falava de uma iniciativa de ativistas que colocaram a primeira plataforma de resgate aos imigrantes em pleno mar Mediterrâneo.

A estrutura foi posicionada em uma das rotas utilizadas pelos refugiados, e está equipada com alimentos, farol, painel solar, rádio e boias.

A brilhante e bem pensada realização não só introduz uma nova alternativa para o terceiro setor para oferecer ajuda aos refugiados, como também valida uma nova forma de ativismo, combinando a ajuda humanitária e a intervenção artística (o chamado “artivismo”).

A primeira plataforma foi batizada de Aylan 1, em uma notável referência ao menino curdo Aylan Kurdi, cujo corpo foi encontrado em uma praia da costa turca após a embarcação em que estava naufragar. Aylan morreu afogado, assim como outros membros de sua família, que pretendia se refugiar na Grécia para escapar do Estado Islâmico.

Cartum retrata Aylan Kurdi e insinua que o mundo dá as costas para os refugiados | Imagem: Huffington Post.

A situação é complicada. Algumas nações europeias se recusam a receber qualquer imigrante — a Hungria, por exemplo, ergueu cercas para impedir o livre trânsito de pessoas. Poucos são os países que se disponibilizam a receber os imigrantes legalmente, o que leva muitos dos refugiados a recorrer a meios ilegais, como por exemplo os barcos que atravessam o Mediterrâneo. Lotadas, as embarcações correm o constante risco de naufragar, e as operações de resgate nem sequer têm o apoio do Reino Unido, destino de uma das rotas de fuga. Daí a importância das plataformas de resgate dos artivistas.

O projeto das plataformas de resgate, todavia, não é o único do grupo de ativistas. Em parceria com o país europeu da República da Áustria e com a construtora Strabag, eles pretendem construir uma ponte que ligue a Tunísia (África) à Sicília (Europa), facilitando o trânsito de pessoas entre os continentes para evitar mortes desnecessárias.

A iniciativa ambiciosa de um pequeno país como a Áustria poderia estimular outras nações a fazer o mesmo. Enquanto isso, os cidadãos locais devem se mobilizar para que os imigrantes sejam aceitos e bem recebidos.

Caberia lembrar o caso da Islândia, cujos cidadãos, conforme descrito pelo cientista social Samuel Braun, “se reuniram e resolveram pôr suas casas, suas habilidades, recursos e tempo à disposição para receber, acolher, prover e integrar os refugiados.” Segundo Bryndis, islandesa que iniciou o movimento para pressionar o governo para receber mais imigrantes:

Foto de Bryndis ilustrada com os dizeres do movimento e a imagem que muitos islandeses vêm adotando. Reprodução: Facebook/Samuel Braun.

“Eles são os nossos futuros cônjuges, melhores amigos, a próxima alma gêmea, um baterista para a banda dos nossos filhos, o próximo colega, Miss Islândia 2022, o carpinteiro que finalmente termina o banheiro, o cozinheiro na lanchonete, um bombeiro e o apresentador de televisão.”

Os dizeres do movimento islandês pró-refugiados são:

“Só porque isso não está acontecendo aqui não significa que não esteja acontecendo.”


‘Links’ úteis: