De Volta Pra Nossa Terra
Concílio de Trento no Alchemist — 01–09–2018–20:00 — R$10,00
Enquanto o Garagem de Rua esquentava as orelhas do Jesiel, a Concílio de Trento encerrava uma turnê de fôlego: de Recife (PE) a Pau dos Ferros (RN), passando por Mossoró e João Pessoa. Vai que vai.

Apresentando uma musicalidade intensa e de qualidade, o som, ao vivo, é extremamente adequado pra quem tem afinidade com o chumbo auricular e surpreende mais que a gravação cristalizada no álbum Tomara que não chova (2018). Compreensível e bem executado, mas dissaboroso, foi o cover da música mais tocada do M.C.R. Isso fora, o espetáculo foi excelente. Gente batendo cabeça e curtindo pacarálio é o melhor termômetro para indicar se a coisa está rolando.
Antes da Concílio, na segunda metade dessa noite, a JLD fez um show acanalhado e sem futuro, ideal pra garotada se escabelar. O glorioso público de quinze pessoas curtiu como se fosse a torcida do Alecrim na final da Libertadores. É pra isso que serve o rock: gerar interação sincera entre banda e galera. “Padre Gato” e “Big Trouble in Little China” já são canções aferroadas do repertório zegotense.
A Concílio de Trento, entretanto, vai noutra trilha. Em lugar da descontração, entra a bateria pegada, ligeira, de som polgoso. Natural que tenha semelhança, ainda que não muito direta, com a pancadaria marretosa da Psicomancia. O som, porém, vai mais pela porrada veloz do que pela sombriedade do metal.
E com o som funcionando aparentemente sem defeitos, a noite deste sábado trouxe à Ribeira outra dose de vibração musical. Já faz algum tempo que Natal tem andado bem servida em termos de rock subterrâneo. Vitória devida ao constante suor da molecada que arregaça as mangas e não fica esperando cair do céu. Resta saber se as caipirinhas a 3 por 10 serão capazes de alvorecer outro período de glória no coração histórico desta cidade.
Sigamos.

