Eu não sou o Capitão América
Joana Mitidiero
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Eu penso muito nisso, sabia? Penso no número de problemas que se reduziriam se fossemos mais sinceros uns com os outros. Saber que os pensamentos que eu tenho não são incomuns, que hábitos que eu detesto também tem sentido nos outros, que o que eu vejo em mim como defeito pode ser visto por mim em outro alguém como qualidade.

Nós nos fortificamos na humanidade dos outros porque nos entendemos melhor. Nos entendendo melhor somos capazes de melhorar. Curar. Perdoar. Porque compartilhar problemas também significa compartilhar soluções. (Eu, assim como você, me sinto abençoada por trabalhar em um meio em que a colaboração é incentivada ou mesmo imprescindível)

Mas também existem os poréns: para que se abra mais o peito é necessário não que haja o medo de tê-lo ferido mortalmente. Entende? A crítica, Jo, é o que nos consome. É o que nos move e o que nos assusta tanto. A mesma crítica que somos acostumados ou educados a aprender todos os dias de forma deplorável: Fulana é perfeita porque é super magra, equilibrada. Ciclano tem a vida toda resolvida: casa, carro dinheiro — nunca vi uma lágrima sequer.

Bolotas! Temos perguntas! Todos temos.

Nada nunca tá certo, porque tudo muda todos os dias.

Equilíbrio não é estático. Equilíbrio implicar manter-se ali, mesmo que "solicitado ou impelido por forças de lados diferentes". Um balanceamento constante, todos os minutos da vida.

Então de que forma equilibrar melhor se não nos apoiando uns nos outros. De que forma responder melhor uma pergunta se não em conjunto?

Enfim, para que abracemos mais os humanos que somos, precisamos abraçar a humanidade dos outros. E pra isso é necessário confiança.

Eu tenho convivido num lugar em que as pessoas são extremamente sinceras umas com as outras. Sinceras ao extremo. Alemanha é o nome desse lugar.

Aqui é assim: Não gosto de algo. Não gosto e você não vai gostar que eu não goste. Mas melhor que você saiba logo da minha não gostância antes que ela se manifesta de uma forma pior ou tarde demais.

Infelizmente eles não fazem isso tão bem quanto às críticas positivas. Falar bem demais do regular é passar a mão na cabeça demais antes que algo melhor tenha sido feito. Por isso são tomados como frios, os alemães. E eu acho que são também. Talvez porque eu gosto demais calorância brasileira.

Mas a verdade é que eu gosto da sinceridade alemã, mas não gosto de gostar. Acho que ela faz sentido. E acho que devíamos ser mais assim. Pro nosso próprio bem. Coletivo e individual.

Pronto. Amei o seu texto, gosto mais de você agora e escrevi sem revisar também. :)

E viu, se precisar eu to aqui. Mas não respondo muito rápido nos chats porque, sinceramente, estou tentando ter uma vida mais humana. Têt-à-têt.

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