Não espere

Não espere de mim, flores, amargura, nem palavras amenas. Tudo que é brando esconde eu seu seio tempestade, deste armazém nascem as piores doenças.

…e hoje não consigo mais deixar o que sinto, meu sexo, minha dor, minha raiva, meu amor, minhas aflições, meus pequenos prazeres. São todos meus, e me obrigo à senti-los sem reservas, não há porque controlá-los nem escondê-los.

Por isso você que hoje está perto de mim, neste meu momento de entrega que abraça a vulnerabilidade, eu te aviso:

Não espere flores, pois elas desfaçam nosso cheiro, e deixam o redor mais bonito do que realmente é. Não quero, pelo menos por enquanto, nenhum tipo de ilusão. se for belo, eu admiro; se for triste, eu choro; se for ágil, eu corro; se for lento, eu paro.

Não espere de mim amargura, este sentimento da mais serena tristeza, não estará presente em mim, pois não lamento o fel da vida, minhas escolhas, hoje livres, carregam sua própria luz e por isso não hei de lamentá-las.

Não espere palavras amenas, uma vez rendido neste mar de sentir, ainda que perceba e admire sutilezas, não reajo à elas da mesma maneira, os detalhes gritam comigo muito mais que evidências claras. Não me furtarei da intensidade de ser inteiro, nem mesmo nas minhas palavras.

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