Countdown

“No dez eu vou embora” — você disse, reclinando a cabeça no encosto do banco e fechando os olhos. Seria a terceira tentativa de sair daquele carro.

“Um” — um beijo na bochecha esquerda. Você sorri.

“Dois” — um beijo no queixo, porque a outra bochecha está inalcançável.

“Três” — um beijo no nariz, com a lembrança de algumas despedidas de boa noite que não seriam suficientes se o que eu desejasse fosse muito normal.

“Quatro” — uma tentativa meio falha de um selinho.
“Eu não alcanço sua boca” — minha única frase na contagem, seguida de um riso estabanado.

“Cinco” — um selinho.

“Seis” — outro selinho.

“Sete” — seguro minha boca na sua por dois segundos. Você continua de olhos fechados quando te olho. Um sorriso no rosto te acompanha.

“Oito” — nossos lábios ficam grudados por mais alguns segundos. Uma respirada mais funda, não sei dizer de quem.

“Nove” — seguro seu lábio superior entre os meus e puxo levemente. Você desencosta do banco e move suas mãos para minha nuca.

“Dez…” — no sussurro mais sexy e cinematográfico que o momento proporcionou. O último beijo antes de você ir embora.