Eu sou apenas espaços vazios

Eu não sabia que ia ser, a gente nunca sabe. E foi.

As borboletas no estômago começaram e nunca mais pararam. E não é mais.

Você ainda é o dono do sorriso mais perfeito mas eu não sou o motivo dele. Talvez eu nunca tenha sido. Sorrisos fatais, nos mostram o caminho mas nunca os finais.

A primeira vez que a gente se viu, você sorriu. Eu sou a melhor em encarar, mas eu ri. E hoje eu chorei e morri. Morri por todos os fins e começos, pelo sorriso e pelo beijo, pelo amor e pelo recomeço.

Você ainda é o menino dos olhos castanhos que eu conheci.

Olhos castanhos que nunca mais refletiram a alegria em me ver.

E essa era pra ser só mais uma daquelas cartas de adeus que a gente escreve, amassa e joga em baixo da gaveta. Essa não é. Eu não consigo simplesmente colocar um amor inteiro em algumas linhas e tentar enfiar a dor por pequenos espaços. Eu não sei fazer isso.

Essa sou eu. E quem sou eu? Nunca sei. Gosto de amores que valem a pena mas me pergunto quais valem a pena, porque eu também não sei. Eu sou espaços vazios de cartas cheias jogadas em baixo da gaveta. Eu sou pequenas linhas apagadas desde que você se foi. Eu fui tanto a gente que deixei de ser eu.

Agora você sorri. Eu também. Estamos bem. Mas alguma me explica pelo amor de Deus qual é o sentido de estar bem? Eu nunca fico bem! Eu estou sorrindo mas por dentro, por dentro meu bem, eu estou morrendo.

Ninguém quer saber se você realmente está bem! Somos a geração quadrado, só nos preocupamos com nos mesmos e dane-se quem está do nosso lado!

Mas não eu.

Eu gosto de problemas resolvidos e foi por não saber como resolver este que eu continuei tentando. E é por ter tentado tanto que eu nunca resolvi, apenas desisti.