4 formas de se lidar com relações opressoras/negativas.

By: erilu. http://erilu.deviantart.com/

Já é difícil lidar com diferenças de opiniões banais. As pessoas discutem sobre biscoito/bolacha, time A/time B, Beatles/Rolling Stones, rock/funk, nostalgia/modernidade e por aí vai. E sempre saímos com o sentimento de que a conversa não valeu para nada.

Mas se já é difícil lidar com diferenças de opiniões banais, imagine com as que realmente nos fazem sofrer. Aquelas que nos tiram do sério. Que mexem com nossos valores, nossa autoestima e nossas pessoas queridas. São elas que formam nossa lista de relações opressoras/negativas.

Não preciso contextualizar esse tipo de relação: o Facebook é o melhor objeto de estudo de tudo isso. Essas relações são tão populares nele que existe uma áurea maligna em torno da rede social— como se ela fosse a responsável por todo sofrimento que nos alcança dia após dia, post após post.

Então vamos começar desconstruindo esse paradigma: o problema não é a ferramenta; o verdadeiro problema está em nós (as pessoas) e na maneira como nos relacionamos (com pessoas) — principalmente com as relações que nos fazem mal. Então se a solução dos nossos sofrimentos está em nós e na maneira como nos relacionamos — com o outro e consigo mesmo— , talvez seja importante começar a aprender como lidar com isso.

Enxergo quatro possíveis escolhas para se aprender a lidar com essas opiniões opressoras/negativas: duas violentas e duas não-violentas.

Sugiro aprender a praticar todas.

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  • VIOLENTAS: as escolhas que se focam na força, na coragem, na agressividade e na disrupção.

1) Convença. Optar pelo combate à opinião alheia é uma forma de se mover pelo incômodo, pelo sofrimento (seu ou de alguém querido). É a lógica do “Você me faz sofrer. E para acabar com o nosso sofrimento, eu preciso te convencer de que isso é errado”. Convencimento se dá por duas formas: pela dialética (convencer através de explicações racionais) ou pela comoção (convencer através da emoção).

- Isso demanda sensibilidade. Sensibilidade para conduzir o diálogo. Sensibilidade para não cair em um monólogo. Sensibilidade para conseguir sensibilizar.
- Foco: mundo externo.

2) Desligue. O mundo é diferente (para o bem ou para o mal) e, até aonde vimos, sempre será assim. Se o processo de desapego não funcionou, então desligue-se de quem não te faz bem. Foque em si mesmo e nas pessoas que têm sinergia contigo. É a lógica do “Você me faz sofrer. E para acabar com o meu sofrimento, vou me desligar de ti”.

- Isso demanda frieza. Frieza para se afastar de relações que te façam sofrer. Frieza para anular a reprovação do outro.
- Foco: mundo externo/interno.

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  • NÃO-VIOLENTAS: as escolhas que se focam no acolhimento, na empatia, na pacificidade e no desapego.

1) Eduque. A sua bagagem (de experiências, contexto, conhecimento e mentalidade) não é a mesma bagagem do outro. Aprenda a ajudar os outros a aprenderem novas perspectivas. É a lógica do “Você me faz sofrer; mas eu te faço também. E para acabar com o nosso sofrimento, nós precisamos aprender a entender isso juntos.”

- Isso demanda empatia. Empatia para reconhecer. Empatia para aceitar o amadorismo e a ignorância. Empatia para entender o processo do outro. Empatia para enxergar pelos olhos do outro. Empatia para abrir mão de estar certo, para estar presente.
- Foco: mundo interno/externo.

2) Aceite. Não temos o controle remoto do mundo e da natureza das pessoas — os eventos que causam dor são pouco controláveis. É provavelmente inútil tentar ancorar a sua felicidade em eventos externos. Caso a pessoa não queira a sua ajuda ou caso a sua ajuda não seja eficiente, é hora de conformar-se: você não tem absolutamente nada para fazer. Afinal de contas, o processo do outro é — antes de mais nada — de responsabilidade dele mesmo. Opte por ancorar a sua felicidade em eventos internos. É a lógica do “Você me estimula sofrimento. Mas eu tenho controle da maneira como eu internalizo esse estímulo.”

- Isso demanda desapego. Desapego de precisar ajudar. Desapego de precisar convencer. Desapego de depender da aprovação do outro.
- Foco: mundo interno.

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Ps.: Não existe a melhor ou a pior escolha: existe aquela que faz mais sentido em cada momento. Tudo depende do contexto (seu e do outro).

Ps.’: O importante não é descobrir qual é a ideal, é aprender a fazer uso de todas elas. Contextos diferentes pedirão atitudes diferentes.

Ps.’’: Nós costumamos fazer uso de mais de uma dessas opções em uma mesma conversa. Novamente: isso não é bom ou ruim; tudo depende do contexto.

Ex.: em uma só conversa facebookiana, nós variamos entre Convencer-Desligar em questão de segundos.

Ex.’: em uma só conversa com seus pais, nós podemos variar entre querer Convencer, resolver Desligar, tentar Educar e decidir, por fim, Aceitar. Ou vice-e-versa.

Ps.’’’: Todo conselho é autobiográfico. Então se nada disso fez sentido para você: não tem problema. :)

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