Lavamos o Bonfim ou me lavo eu? Os dois!

A Lavagem do Bonfim traz renovação da espiritualidade e, também, de felicidade para enfrentarmos os desafios do ano que se inicia

Ô, boa noite, pra quem é de boa noite!

Às vezes, a vida nos dá privilégios de passar por momentos únicos. Não por serem glamourosos e que exigem muito dinheiro, mas, sim, por serem simples e nos proporcionar a vivência da nossa cultura.

Viver em Salvador, na Bahia, é, sem dúvidas, maravilhoso. Temos o acarajé, abará, caruru. Temos o axé e o timbal. Temos a maior festa popular: o Carnaval. Temos, agora, o que podemos chamar de maior festa de Réveillon do país. Temos o Pelourinho, o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda, o Farol da Barra e muitos outros. Mas temos, sobretudo, nosso povo, que reflete nossa cultura. E hoje, segunda quinta-feira do ano, temos a Lavagem da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim.


Antes de continuar: saravá, para quem é de saravá; a bênção, para quem é da bênção! Vamos ouvir o hino do Senhor do Bonfim!


A Lavagem do Bonfim é uma das grandes festas da cidade. Promove que pessoas de diversos bairros venham, movidas pela fé, acompanhar o cortejo e desfrutar de todo o festejo no Bonfim. Com 8 km de procissão, de muita peregrinação, pedido, agradecimento, água de cheiro e batuque; a Lavagem é responsável por transpor as barreiras entre religiões e ser um verdadeiro marco do sincretismo religioso.

As pessoas das mais variadas religiões vão cultuar sua fé da forma que acharem mais conveniente, sem preconceitos e sem imposições. Seja para agradecer ou para pedir, para cumprir promessa ou para fazer mais uma. Quem tem fé, vai, e vai à pé!

Baiana dá banho de água de cheiro em freira na Lavagem do Bonfim

E, além de contar com a presença das baianas e dos devotos, políticos e parlamentares, a Lavagem conta com a presença de um público especial: amigos. Sim, na Festa do Bonfim, além de se renovar espiritualmente, de cumprir com os votos religiosos, é possível renovar o interior, nutrir o nosso corpo de alegria.

A Lavagem, que move muitas pessoas, acaba unindo amigos de longas datas e amigos recentes. Acaba, após toda a celebração sagrada, trazendo um belo palco para o compartilhamento de histórias, para o reavivamento de lembranças e para a vivência de mais um momento. De resenha, de gandaia, de bebedeira, de dança: do nosso eu mais completo e realizado.

A Lavagem do Bonfim marca, para muita gente, o ano novo, que pode, assim, desenrolar-se. Mas reitera que nossa cultura, nosso povo e nossos amigos são partes essenciais para nós. Faz-nos renovar e encher de espiritualidade e felicidade. Faz-nos lavar as coisas ruins que pode estar nos acompanhando. Faz as coisas boas chegarem. É tempo de lavagem! Lavamos o Bonfim e nos lavamos. Então sigamos Arnaldo Antunes: lava outra, lava uma (mão!); água outra, água uma (mão!).

Escrito em 12/01/2017, por volta das 23h.

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