Mudar de ideia. Um esporte olímpico.

OlimPIADAS, as pessoas escreveram. A vila está um lixo? Essa é a nossa primeira vergonha. Vai dar errado. Cena de assalto na abertura? Piada de novo.

Mas, olhem, começou! Isso tá bonito. Tirando o Biscoito Globo, o New York Times até elogiou. Ah, a New Yorker fez um editorial pedindo desculpas por aquela capa. Tá vendo? Gringo não sabe de nada. Poxa, será que ainda tem ingresso? Eu posso curtir as Olimpíadas sem ser um babaca? Cadê a matéria da Vice?

Resumindo: em pouco mais de 15 dias, vi pessoas que foram da completa desconfiança ao post ufanista que parecia o Vin Diesel com braços abertos falando: This is Brazil! (Porque, convenhamos, temos de louvar a pátria, mas em inglês, por favor).

Eu até queria ter tirado prints e feito postagens ao estilo antes e depois. Antes: Vai ser vergonhoso! / Depois: Eu nunca disse que era contra! Antes: não piso aí nem morto./ Depois: Vai Brasil! O Parque Olímpico é lindo! Selfie com os arcos olímpicos.

Mudar de ideia é inaceitável? Óbvio que não. O problema é que a mudança esconde o velho e medíocre complexo de vira-latas. Adoramos ser rebaixados. Nossa autoestima é pior do que a de muito cara chifrudo por aí. E não assumimos. Quando algo dá certo, somos brasileiros. Se dá errado, vivemos no eterno 7x1.

E isso está enraizado em todas as esferas. O Zanetti levou prata nas argolas. Título do jornal: Zanetti perde o ouro. Poliana Okimoto chegou em 4º lugar na maratona aquática (Duas horas nadando no mar. Se está achando fácil, faz melhor). Depois que o terceiro lugar foi desclassificado, ela levou o bronze. Chamada de um portal: “Okimoto leva bronze após manobra”. Parem, apenas parem.

No começo até eu estava com medo das Olimpíadas. Mas de atentados terroristas. Realmente fiquei preocupada. Mas, se depois da cerimônia de abertura e de uma homenagem aos atletas israelenses mortos em Munique (uma ferida histórica e controversa para os dois lados da moeda e que eu não vou entrar no assunto), tudo ainda está de pé, vamos comemorar.

Apenas acho que podemos tirar a camisa amarela da CBF e continuar torcendo pelo Brasil. Parar de sermos alarmistas e sermos realistas. Fazer realmente algo pela nação. Isso, como disse, custa bem menos que um ingresso do COI.

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