processos — primeiro registro

é difícil começar. parece ser impossível aceitar as coisas quando elas parecem ser uma montanha cheia de gelo na sua frente, prestes a congelar suas extremidades e fazer com que você perca seu fôlego quando perceber que tudo que você precisa é se entorpecer, caso contrário sua sanidade não recobre sua vontade de respirar em um lugar calmo e sereno. (suspiro). quando você amadurece as ideias que no passado pareciam ser apenas um esboço de algum quadro que você acabara de pintar na sua vida, com suas atitudes, errantes ou ríspidas como um borrão e você pensa “caralho, isso vai ser uma pintura ou uma destruição?”, aquilo parece ser temporário, e aos poucos você se dá ao trabalho de viver aquilo que começou, sendo um esboço, um desenho, um traço, um alguém, uma situação, um jogo, uma conversa, um dia, um olhar. logo, quando o tempo corre como um rio lento, você se dá conta: não importa. é arte. e é aí onde nos damos conta. não se trata de enxergar aquilo como algo bom ou ruim, mas tirar um ensinamento do que você passou pra obter tal resultado. e de certa forma, é arte. é algo que você passou, sendo necessário ou não. e você precisa aprender com aquilo. e aprender que tudo que você passa na vida, tem um motivo e uma razão. e o principal cúmplice disto é o tempo, e só ele pode te mostrar as respostas. e você, um dia, vai ser grato por ter passado por tudo isso, caso contrário não saberia lidar com próximas situações, sim, próximas, pois o mundo dá voltas, e você vai reviver inúmeros episódios de terror, fuga, medo e dúvida, basta reviver seu passado em um piscar de olhos e você sabe o que fazer. sim, subir esses morros da incerteza, da fúria e do desgaste são necessários para que se enxergue o pôr-do-sol e aqueça, com gratidão, as mesmas extremidades que te fizeram duvidar de sua capacidade. sim, nós somos destrutivos. e, com isso, aprendemos. seguimos. evoluímos. crescemos.

Roberta Beatriz

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