Taquicardia.

Coração de Beija-Flor.

Lonac.

Palpitação.

O som da água fervendo. A fumaça sibilante saindo do filtro. O cheiro de café sendo cuado. O calor embaçando o copo. O sopro antes da boca provar. O gosto tomando conta da boca.

Às vezes eu queria ser uma nuvem. Pra fazer sombra, pra passar devagar, pra enfeitar paisagens. Mas principalmente pra alguém me olhar e questionar que forma eu tenho.

Pensando nisso, talvez eu quisesse ser um bom dia também. Mas um daqueles bom dias bem dados — do nível dos da Ana Maria Braga, mas sem ser ensaiado — , que faz com que alguém cabisbaixo se veja surpreso e sorria.

Na verdade mesmo, às vezes eu queria é ser detalhe. Só detalhe, nada mais, mas só de vez em quando. Eu queria existir nesse espaço fugaz e efêmero que desafia a realidade e faz a gente ponderar se existiu mesmo ou a gente só imaginou — tipo um risco no céu rápido demais para podermos afirmar que era mesmo uma estrela cadente. Porque é engraçado, né? Detalhes tem um poder tão estranho de fazer a diferença. Ou serem a diferença.

Ouvi dizer que se o beija-flor parar por muito tempo, ele morre. Seu coração bate rápido demais e ele precisa fazer jus ao que sente. É estranho porque, pensando assim, beija-flor é bicho que vive de detalhe. O peito continuamente disparado, como alguém apaixonado prestes a desabrochar seus sentimentos num buquê de palavras, sabe?

Eu queria ser taquicardia. Mas não igual ansiedade, batendo um tum-tum-tum desenfreado. Taquicardia igual de beija-flor, que tudo que faz é sentir porque o peito só sabe bater na forma de você-está-vivo, então-viva /você-está-vivo, então-viva.

Porque, bem, a gente está vivo, né? Mas esse é um detalhe que a gente às vezes esquece.

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