Foto: Dominion (2018); Adesivo: naomate.org

Segui em frente: Me tornei vegano

De hoje em diante, nem cadáveres nem seus insumos. 👊🏼🐮

Tudo começou no dia 21 de março de 2015 quando meu namorado já vegetariano, depois me meses me questionando sobre minha dieta onívora me perguntou a coisa certa: "Mas por que você não para de comer carne?", e em voz BEM alta respondi "PORQUE GOSTO!".

Ouvir meu egoísmo e falta de compaixão pela vida de indefesos sair da minha própria boca em alto e bom tom me fez perceber o quanto era um cuzão.

Na mesma noite assistimos o filme Terráqueos, narrado por Joaquin Phoenix (Her) e com trilha sonora de Moby, ambos defensores dos animais. Era impossível não ser impactado pelas imagens das diversas formas de exploração animal.

Estupro e inseminação artificial forçada de vacas e porcas, separação dos filhotes das mesmas, galinhas mantidas em espaços em que mal se podia dar passos para frente e para trás… Era demais aguentar sem chorar e pensar na demanda de sofrimento que eu gerava.

Após dormir pensando em tudo o que vi, no dia seguinte acordei com um pesamento: Chega de consumir cadáveres. Dei a notícia para Jonas.

Surpreso chegou a perguntar se eu queria um cachorro quente de despedida, um hambúrguer ou algo do tipo. Firmemente disse “não”. De mim não viria mais matança.


Três anos depois sem comer carne de nenhum tipo, meio que nos declarando "bem-estaristas" (quem consome produtos de origem animal desde que não tenham sofrido) e ensaiar o veganismo vez ou outra sem muito sucesso, descobrimos outro documentário. DOMINION.

Assim como Terráqueos, Dominion também é narrado por Joaquin Phoenix, mas este também conta com a colaboração de outras celebridades como Rooney Mara (The Girl with the Dragon Tattoo), Sadie Sink (Stranger Things), Kat Von D e Sia, que recentemente se envolveu em uma polêmica com a cantora e rapper Azealia Banks por conta de sacrifício animal em rituais religiosos.

Joaquin Phoenix, Rooney Mara
Sadie Sink, Kat Von D, Sia

Acreditava que não precisava assistir mais nada para me convencer de que a humanidade precisa se tornar vegana, e que só faltava mais um tantinho para eu conseguir chegar lá, mas faltava muito. Na verdade, faltava boa parte do caminho: Abrir mão (mais ainda) do meu comodismo.


Via Facebook naomate.org

Muita gente acha radical quando comparo a exploração animal ao nazismo, racismo e machismo. Dizem que é absurdo uma comparação dessa, porque milhares de vidas se perderam e ainda se perdem com tais mazelas.

Negros são exterminados pelo fascismo da polícia para a comididade de gente branca privilegiada que os vê como escória. Isso quando não são mantidos como escravos anos depois da abolição da escravatura.

Mulheres são violentadas de diversas formas por homens que ainda acreditam que elas são meros objetos, uma propriedade deles, afinal é cômodo ser homem em qualquer lugar do mundo.

Ouvir as pessoas falando que acreditam em abate humanitário para mim é o mesmo que ouvir que tudo bem Hitler ter feito o que fez, mas deveria ter tido mais compaixão com suas vítimas e tê-las matado de um jeito menos brutal. Ou ainda que são a favor da pena de morte, desde que de forma "humanitária".

Parece que não adianta muito sermos humanos se humanidade é o que mais nos falta.

Há ainda quem fale em respeitar diferenças. "Eu respeito você não comer carne, me respeite por comer", soa quase como "vamos respeitar o Bolsonaro apesar das idéias dele, ele merece ser ouvido e seu estilo de vida é válido."


Vai além de ter uma opinião diferente da maioria do mundo.

Vai além de "respeitar" o próximo, afinal não respeitamos ninguém com exploração.

Vai além de achar chato se justificar pros outros com relação a essa evolução na vida mas achar ok se justificar ser pró-movimento negro, pró-feminismo, lutar pelos direitos LGBT só por parecer mais óbvio que se lute por tudo isso.

Na verdade me justifico para quem deixei de explorar e matar.

E pode ter certeza que vai muito, mas muito além do nosso comodismo. Não é ruim ser extremista se isso salva vidas, sabe?

O que me faz refletir é como nós minorias e "escórias" sociais demandamos que a high society branca heteronormativa privilegiada abra mão dos seus privilégios se não conseguimos abrir mão nem do que está em nossos pratos porque "é muito difícil", ou porque é um "aspecto social".

E querem saber? Nem custa tanto assim. 😉