Foto: Rodilei Silva Morais (excelente fotógrafo e um dos amigos sobre os quais escrevo aqui)

Amizades e outros laços

Sobre as permanências e turbulências da experiência universitária partilhada em grupo

Estar numa universidade pública— além de ser um privilégio imensurável numa sociedade extremamente desigual — é uma experiência única e especial pra mim. Saber que estou próximo de receber meu primeiro diploma de ensino superior é uma alegria tamanha que nem sei como verbalizar. Porém, ter partilhado esse tempo e espaço com algumas pessoas certamente foi a melhor parte.

A experiência como universitário me trouxe muitos problemas, traumas, inseguranças e incertezas. Apesar disso, me proporcionou a chance de me conectar profundamente com pessoas maravilhosas que, atualmente, fazem parte de uma rede de suporte essencial pra mim — e eu utilizei e precisei dessa rede em quase todos os meus momentos como universitário, inclusive nos que eu gostaria de estar sozinho.

Não sei se foram os choques de realidade, os textos que tenho lido ou os sentimentos que temos vivenciado, mas tenho percebido a fragilidade dessa rede e a efemeridade dos laços que criamos com as pessoas. Coisas acontecem, pessoas crescem, não dá pra ser sempre do mesmo jeito. Parte desses amigos essenciais foi morar no exterior por um tempo, outra parte vai se formar esse ano e vai tentar conquistar o mundo — torço pra que consigam. E, um dia, vai ser minha vez de ter minha própria aventura.

As mensagens motivacionais trocadas quando acordamos para ninguém deixar de ir à aula, os cafés-da-manhã nos curtos intervalos, as aulas insuportáveis que nos fazem ficar fazendo piadas, os almoços, as tardes no laboratório, as noites viradas para terminar trabalhos que parecem intermináveis, os bares e as festas. Isso tudo vai ser só história. Assim como os nosso choros, nossas brigas e nossas reclamações.

Não somos e não fomos perfeitos, mas fomos humanos e crescemos juntos. Tivemos dias ruins e ficamos de saco cheio uns dos outros. Com certeza já quisemos estrangular uns aos outros — eu já quis. Evitamos conversas essenciais e dissemos bobagens, focamos nos defeitos uns dos outros e fomos idiotas algumas vezes — com certeza fui idiota muitas vezes. Mas, cuidamos uns dos outros e nos amamos — me senti cuidado e amei vocês, pelo menos.

Nunca vou saber como teria sido minha vida caso eu tivesse esse tipo de vivência com pessoas que não fossem vocês. Não acredito suficientemente no acaso e gosto muito do que somos, então eu não quero nem tentar imaginar como as coisas seriam sem vocês. E é por isso que venho agradecer. Apesar das impermanências e turbulências, nós estamos juntos de alguma maneira — e talvez pela última vez nas nossas vidas.

Não sei se vou estar no casamento de algum de vocês ou na defesa da dissertação de mestrado que tanto conversamos sobre. Não sei se vou ter a chance de ser chamado de tio pela filha sapeca de algum de vocês. Não sei se vamos beber um vinho daqui quinze anos, sentados na sala de estar da casa de algum de vocês, conversando sobre as estórias que estamos construindo. Mas não sei se isso é tão importante quanto o agora.

Mas, afinal, isso é crescer. Crescer é tão natural que, às vezes, a gente nem percebe — e quando percebe dá vontade de nunca ter crescido. Se eu gostaria de sempre ter 21 anos? Não sei. Mas eu gostaria de carregar os sentimentos que tenho por essas pessoas pra sempre, sem dúvidas.


Para os que universitários que têm pessoas tão importantes quanto as que eu tenho: nunca esqueçam de dizer que as amam e que elas são relevantes e essenciais pra você. Afinal, a gente nunca sabe o que vai acontecer depois que todos se graduarem.

Para os que estão entrando na universidade agora: esses podem não ser os melhores anos da sua vida — e vai ficar tudo bem se não forem — , mas aproveite pra criar laços e se conectar com as pessoas. Conheça-as e se deixe ser conhecido. Dizem que as amizades que construímos dentro da universidade ficam pra sempre — e eu espero que isso não seja só uma bobagem emocional.

Para os que fazem parte da minha rede de suporte: muito obrigado, vocês foram e são essenciais no meu caminho e vou torcer para que os próximos meses — até a gente se graduar — sejam os melhores. Que a gente permaneça e que a gente sempre se conheça. Amo vocês!


Dedicado — principalmente, mas não exclusivamente — para: Juliana Antunes, Pedro Yukas, Bruna Andrade, Amanda Clemente, Rodilei Morais, Giovanna Dagel, Victor Del Prete, Sabrina Nascimento e Camila Brito.