Diário de um redator desempregado
19 de janeiro de 2013
Santo cachorro-quente
A fome bateu de uma maneira no começo da noite que precisava de algo urgentemente.
Como a preguiça era maior que a gula, peguei o carro e fui até o cachorro que fica numa praça próxima aqui de casa.
O trânsito às 20h deveria ser calmo e sereno, mas pelo contrário, parecia o inferno.
Calma, o cachorro-quente prometido está próximo.
Chegando na carroçinha foi até fácil estacionar. Barbada.
Cheguei para o Seu Jorge e pedi:
- Opa, boa noite. Me vê dois grandes, por favor.
Seu Jorge virou a cabeça e disse:
- Bah, meu filho, só tenho os pães pequenos agora, e são os 3 últimos.
Bom, como era para eu e minha esposa, e eu estava varado de fome, resolvi pedir os 3 mesmo.
Enquanto o seu Jorge fazia os cachorros, ele começou com uma conversa que começara com o freguês que estava fazendo o pedindo antes de mim.
- Sabe, meu filho, a gente tem que rezar para a vida e não para a morte. Está tudo nas escrituras, vai lá e lê.
Eu só escutando com um ar que misturava estranheza e curiosidade ao mesmo tempo.
Ele continuou:
-Bah, Alexandre, tu és um guri de sorte, che. Eu vou rezar sempre para a tua saúde, pra tua família. Tá escrito. Está tudo lá nas escrituras, vai lá e lê.
Pra variar eu não estava entendendo nada. Só pensava na quantidade de cebola que ele colocava nos cachorros-quentes. O que tivesse mais seria o meu, óbvio.
Seu Jorge finalizou, com um ar de alívio:
- Ainda bem que hoje eu vendi todos os cachorros. Foi que nem ontem. Graças a Deus vou chegar antes da mulher em casa.
Peguei os cachorros, paguei e me despedi:
- Valeu seu Jorge, até a próxima.
Ele nem deu muita bola, pois ao chegar um gordinho do meu lado, ele falou que tinha mais uns pequenos pães dentro do carro e que já voltava.
- Só um pouco que vou buscar uns pães que ainda tenho. São os últimos. Ainda bem que tu chegaste agora. A gente tem sempre que rezar para a vida, e não para a morte….
Entrei no carro e me fui pra casa. Eu e meus 3 abençoados cachorros.