Falta de Rima

Ícaro, tão inocente
tão perto do sol chegou, com asas de cera
Hoje eu, prepotente
tão perto de ti, invejo quem lhe tivera

Posto à beira de um abismo
prestes a defenestrar-me aclive adentro
incoerente e cheio de ceticismo
torna-se mais difícil dar um passo certeiro

Em vão, sonhei
com amores, paixões, beijos
Então acordei
Eram sonhos, borrões, devaneios.

Tão forte abracei o travesseiro
na noite, em ilusões durante o sono arrebatador
maldito Sandman, traiçoeiro
me fez de idiota, o velho da areia, amedrontador

Elísios campos, verdejaram em segundos
Bradei a todos os céus meu amor infinito
ninguém ouviu, eram todos cegos e surdos
não lhes importava meu sentimento bonito

Abracei-te mais uma vez
antes de me deixar dar por conta ser um sonho
quisera eu, um dia, talvez
repetir em vida tal gesto de amor enfadonho

Tão pura fosse minha composição
nunca te abalastes defronte a verdade
Tão forte fosse minha paixão
Tu jamais saberia se fosse verdade

Minhas crenças me dizem ser em vão rezar
entretanto por ti sempre abro exceção
Quero teu bem, nem que me custe lutar
ou mesmo me afastar e manter solidão

Peço-te por fim, apenas um beijo.
eu sei que talvez não estejas disposta
Isto seria meu final desejo.
se eu não soubesse que abrira outra porta.

Originalmente composto e postado em outro lugar em 6 de julho de 2016.