O que fica?

Fonte: Dear White People, Netflix.

Meu corpo paralisa diante das palavras proferidas. Afinal, nunca esperei ouvir algo desse tipo, não da pessoa que havia vivido durante doze anos de minha vida. A surpresa é grande, assim como a decepção. “Por que nunca me disse isso antes?” É a única coisa que consigo formular, após alguns minutos sem sequer piscar os olhos. O silêncio toma conta do lugar, os olhos se encontram e desencontram-se com urgência, as tentativas de argumentação se limitam a poucas palavras, entre elas, “eu não sei”, “é…”, “é melhor assim”.

Será mesmo melhor assim? Bem, eu não sei, pois não tive tempo de questionar; quando me dei conta e de fato pensei em tentar encontrar respostas para as inúmeras questões que permeavam minha mente no momento, percebi que era tarde demais. Não houve despedidas, apenas a enxurrada de críticas e nada mais.

Devo confessar, passei dias e dias chorando, lamentando e me culpando. Após o término nada parecia ter sobrado, entretanto, com o passar dos anos e as novas vivências, meu lado racional falou mais alto do que o coração e eu pude perceber que muitas coisas ficaram.

Eu aprendi a ser eu mesmo, ao invés de me moldar as pessoas próximas. Compreendi, que preciso dar mais espaço para os outros, não pressioná-los tanto. Parar de agir, como se só meus problemas fossem importantes ou precisassem ser ouvidos e solucionados. Entendi, que o amor vai além de palavras bonitas… Cheguei a conclusão, que amar é reparar no outro, é buscar saber o que se passa na mente e coração de quem se ama. Fui além, ao ver um lado bom nessa experiência: crescer com os erros. E fui bem mais além, ao concordar com a ideia de que ainda temos muito o que errar e aprender.

Hoje, eu tenho ideia do quanto erramos. Nós, assim como muitos, criamos expectativas um no outro e com o tempo percebemos que nada era como imaginávamos, inclusive nós.

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