deveria ser óbvio

Estes dias li um texto no Observatório da Imprensa sobre A Construção da Realidade por meio da Notícia. A conclusão e o único conselho possíveis são bastante óbvios: apenas o permanente questionamento das verdades e o olhar crítico na leitura do noticiário. Deveria ser óbvio. Questionar as próprias verdades, inclusive. Olhar criticamente para si. Mas… Já que estamos em tempos de crise, vamos falar um pouquinho sobre democracia e o papel da imprensa?

O Estado democrático visa à participação dos cidadãos nas principais escolhas e resoluções, certo? Portanto, eles deveriam possuir a informação relativa a esse poder decisional, inclusive as opiniões dos demais. O direito de acesso à informação se constitui como ferramenta legal para alcançar a transparência dos atos do Estado e também como meio de fiscalização efetiva de todos os setores da sociedade. Nas sociedades democráticas, a liberdade de expressão não é apenas um valor positivo, mas essencial à existência dessa forma de governo.

Um regime democrático puro, que não esteja comprometido com quaisquer metas para a proteção de certos grupos específicos da sociedade, não possui nada ideologicamente oculto para proteger (o que não ocorre nas ditaduras, oligarquias e governos totalitários como um todo). A liberdade de expressão constitui um dos fundamentos essenciais de uma sociedade democrática e uma das condições básicas para o seu progresso e para o desenvolvimento humano.

A liberdade de expressão e informação atinge o grau máximo de sua tutela quando exercida pelos profissionais dos meios de comunicação social (liberdade de imprensa). Numa democracia, é indispensável a existência da liberdade de imprensa como meio para conhecer os fatos que ali acontecem, o trabalho das autoridades, as ações e omissões de quem desempenha funções públicas; isso abre campo ao controle dos cidadãos sobre o poder político e ao mesmo tempo garante aos habitantes o respeito aos seus direitos fundamentais ou à divulgação de sua vulnerabilidade.

A opinião pública cidadã e de cunho político tem uma função controladora. A liberdade dos indivíduos para debater e criticar abertamente as políticas e as instituições protege os mesmos contra as violações aos seus direitos. Em alguns casos, a utilização dos meios de comunicação pode(ria) ajudar a gerar uma consciência pública e exercer pressões para que se adotem medidas visando melhorar a qualidade de vida dos setores marginalizados ou mais vulneráveis da população.

Essa digressão toda sobre Liberdade de Expressão e Democracia para chegar à fase do questionamento. Caros profissionais de imprensa, vocês tem cumprido seu papel? Tem ajudado a (in)formar uma opinião pública cidadã, que olha criticamente inclusive para si? Vocês fazem autocrítica? E vocês, público, qual sua desculpa? Em tempos de Google, engolir verdades prontas sem antes pesquisá-las e questioná-las é o cúmulo do sedentarismo mental viu.

Psiu! Eu sei que exercer a profissão na vida real é diferente da teoria e do nosso idealismo juvenil — só consegui por breves períodos estagiários (oi diploma de jornalista na gaveta… risos). Tenho flertado com a fotografia de vez em quando. Há sempre a publicidade e a produção. Sei que a realidade da comunicação tem tons de cinza cheios de arco-íris. Mas se P&B inexiste… Peloamor parem de tratar a realidade como bicolor, binária. O público é (ou deveria ser) bípede. #nãosejaquadrúpede

Notas finais inconclusas: apesar da insalubridade que permeia toda a grande área da comunicação, como não amá-la? Como observadora ou praticante, amo. Faço parte dela e a critico — acaba sendo, também, uma autocrítica (ou não). Só sei que nada sei ou O fascismo começa caçando tarados -> se eu fosse você, clicava nesse e nos outros links que estão aí pelo texto. A concluir. (não vista a carapuça! #ficaadica e, se vestiu, volte ao primeiro parágrafo)