Vai a São Paulo? Leia dicas de uma brasiliense para comer bem, mesmo com tempo curto

Em 48h, visitei alguns restaurantes de São Paulo que valem a passagem (neste caso, literalmente). Conheça alguns deles na primeira série de três posts

Um labirinto místico onde os grafites gritam. E que, realmente, não dá para descrever. Perdão, Criolo, mas em um ponto hei de discordar. São Paulo exala amor — ao menos se o tema em questão são as opções gastronômicas. Comer na eterna terra da garoa é de um deleite sem-fim.

Brasiliense ávida por tudo que a capital paulista representa na gastronomia do país, passei 48h na frenética cidade contaminada pelo seu way of life: pulando de restaurante em restaurante, num delicioso misto de êxtase e curiosidade. Pacito a pacito, conto as impressões sobre os lugares que visitei na primeira de uma série de três posts. Tudo bem mastigadinho. Com afeto, sal, açúcar, cerveja, Atala…

Padaria da Esquina

Combo Évora da Padaria da Esquina

Com assinatura do chef português Vítor Sobral, a Padaria da Esquina tem pães especiais e receitas típicas do país europeu para onde vou em alguns meses.

Ela acaba de ser eleita a Melhor Padaria do Brasil na premiação anual da revista Prazeres da Mesa.

Uma das razões, obviamente, é o folhado do porto, uma espécie de croissant besuntando em açúcar. Memorável, tanto quanto beijo de vó.

Ele faz parte do combo Évora (R$ 72), que serve duas pessoas e vem ainda com pastel de nata, ovos mexidos, cestinha de pães, fruta do dia, mortadela com pistache, presunto royale, manteiga, mel e compota. No almoço, pratos típicos da Terra de Camões perfumam o local. Não provei. Ainda.

Santo Pão Boulangerie

Balcão da Santo Pão Boulangerie, em São Paulo

Curiosamente, quando estava em SP deparei-me com uma excelente matéria sobre a explosão da panificação artesanal na cidade. Um dos estabelecimentos recomendados pelo Paladar, do Estadão, era a Santo Pão Boulangerie.

Corri para lá, posto que ficava a 10min do meu hotel. Apesar do atendimento confuso, a padoca tem seu charme. Ela lembra um casarão, com o pé-direito alto. Mas pisa no moderninho em décor que une o rústico a outros elementos mais contemporâneos. Só incomoda o preço, fermentado que só ele.

Paguei R$ 32 numa água, num espresso e numa cestinha de pães com apenas d-u-a-s fatias. A gulodice pediu mais. Pelo mesmo preço, provo itens de igual ou melhor qualidade no quadradinho do DF. Salve, La Boulangerie & CIA. Se estiver pela Oscar Freire, vá. Se não, rode mais um pouco.

Petí

Não sei você, mas eu estou aguardando o dia em que a ONU vai decretar o Petí, de Victor Dimitrow, como Patrimônio Cultural da Humanidade. Nunca na história deste país pagou-se tão pouco (R$ 43) por um menu em três etapas de comida contemporânea de verdade (não estou falando de filé com risoto). Brasileira, fresca, autoral e com alma.

Victor, santo homem, é o chef por trás do Petí, meu novo lugar preferido no mundo

Cheio de idéias e ideais, Victor muda o menu quinzenalmente. Bom para quem mora pela Pompeia (ou seria Perdizes?) e pode ir sempre que a fome pede, sem repetecos. Provei a sororoca com purê e ervilhas em diferentes texturas. Mas morri de amores, mesmo, pelo prato da Mari Vieira, minha anfitriã e quem me apresentou esse templo da boa mesa: cupim com purê de batata-roxa, alface na brasa e tu-ta-no empanado.

Antes do prato principal você é recebido com focaccia quentinha e manteiga da casa com flor de sal. O quanto quiser. Os drinques também são deli e ficam na faixa de R$ 20.

É, sem hipérboles, daqueles restaurantes que dividem nossa vida em antes e depois. O Petí abriu há dois anos, já tem segunda unidade, agrada a crítica, ganhou uma pancada de prêmios, menções honrosas e fãs, muitos fãs. Precisa dizer que sou um deles? Trilha sonora: