10 lições que o desemprego me deu
Depois de dez anos no mercado, sem nunca ter ficado desempregada e sempre ter pedido o meu desligamento das empresas por achar que o trabalho não estava tão bom quanto eu gostaria, estou passando pelo temido desemprego e garanto: não é bom mesmo!
Mas como eu sempre digo, nem tudo é totalmente ruim ou bom. Então resolvi extrair aprendizados desse momento e, por enquanto, reuni dez deles.
1. Ainda que o emprego seja/esteja/pareça ruim, ele te dá oportunidades.
Sempre fui para novos empregos com toda empolgação, mas logo aquilo perdia a graça. Era como uma criança que queria muito um brinquedo e depois que brincava algumas vezes, deixava de lado.
Gosto demais de aprender coisas novas e sentir aquele frio na barriga proporcionado pelos desafios, mas não tem como passar todos os dias assim, em algum momento a gente começa a dominar aquele assunto que antes era desafiador e a emoção passa.
Quando isso acontecia eu pensava que já tinha feito tudo o que podia naquela empresa e ela por mim. Impaciência da geração Y? Talvez. Mas esse trabalho, mesmo que não seja o mais revolucionário, te dá oportunidades de conhecer pessoas, aprender alguma coisa ou, no mínimo, pagar suas contas.
2. O trabalho não deve ser o centro da vida, mas o meio para fazer as coisas que se gosta.
Exceto na época da faculdade, eu nunca fiz outras atividades paralelas a trabalhar. A vida fica vazia e você começa a ficar cansado do seu trabalho. Muitas vezes ele nem é ruim, é você que está fazendo da sua vida um tédio.
Pensar que você vai trabalhar o dia todo, mas a noite vai fazer um curso, sair para jantar, ir ao cinema ou trabalhar a semana toda para poder curtir a praia no final de semana, faz o trabalho ser menos penoso.
3. Nunca pare de estudar ou estará parado no tempo.
Quando terminei a faculdade quis dar um tempo porque estava “cansada”. Esse tempo já dura dois anos e agora percebo como não tê-lo aproveitado me faz falta. Poderia ter feito pós-graduação e já teria terminado. Poderia ter continuado meu curso de inglês e iniciado um curso de espanhol, fundamentais na minha profissão, entre outros, mas preferi “descansar”.
4. Tenha objetivos de curto, médio e longo prazo.
Já dizia Alice no País das Maravilhas:
Alice: Eu só queria saber que caminho tomar.
Mestre Gato: Isso depende do lugar aonde quer ir.
Alice: Não importa, desde que eu…
Mestre Gato: Então não importa que caminho tomar.
Eu fui a Alice por um bom tempo. Ou o Zeca Pagodinho, deixando a vida me levar. Acontece que se você não sabe o que quer, nunca estará satisfeito com nada. “Perca um tempo” se conhecendo e descubra o que você realmente quer, antes de reclamar do que tem. Pense também em como aquilo que você já tem pode ajudá-lo a atingir os seus objetivos.
5. Não sofra, adapte-se.
Ficar sofrendo e reclamando do trabalho não vai resolver nada, muito pelo contrário, só piora. Acordar cedo já pensando em voltar para casa à noite, chegar de cara amarrada na empresa ou atender uma ligação com má vontade vai deixar o dia mais pesado e difícil.
Resiliência é a palavra de ordem:
Capacidade do indivíduo adaptar-se de maneira positiva diante de situações adversas, mantendo seu desenvolvimento normal e recuperando-se dos efeitos estressores.
-Wikipedia
6. Busque novos desafios e responsabilidades.
Se o trabalho está entediante ou você faz tudo em poucas horas de expediente, ofereça ajuda a um colega que está sobrecarregado ou converse com seu superior e diga: Consegui otimizar alguns processos e estou com algum tempo livre para trabalhar em outros projetos/funções. O que a empresa está precisando nesse momento que eu possa contribuir?
7. Esteja sempre atento ao mercado, não se acomode.
Se você está satisfeito com o emprego que tem, ótimo. Mas não se esqueça que existe um mundo lá fora. Permaneça conectado (e ativo) ao LinkedIn, converse com colegas que trabalham em outros lugares, participe de grupos voltados a sua área, dê uma olhada nas vagas em aberto e nos salários oferecidos.
Algo que deixei de lado e vejo que perdi muitas oportunidades foram os concursos voltados a minha área. Sempre pensei “não consigo estudar, não vou atrás disso”, “funcionário público não tem desafios, passa a vida inteira fazendo a mesma coisa”. Ora, se eu fui capaz de estudar para o vestibular, sou capaz de estudar para um concurso e se, realmente o funcionário público não tiver desafios, sempre há um novo concurso que paga mais para você se desafiar a passar. Tudo depende do olhar que temos para as situações.
8. Não menospreze cursos e palestras, aproveite e faça networking.
Não estou falando de ir a uma palestra para ficar bajulando alguém “influente” ou buscando desesperadamente uma nova oportunidade. É fazer contato com pessoas que estão no mesmo barco que você, que tem formas diferentes de resolver os mesmos problemas, que tem visões diferentes, que com uma frase aleatória podem te fazer abrir os olhos para algo que você nunca havia pensado antes.
Ser um ermitão não vai te fazer crescer na vida.
9. Não espere nada cair do céu.
Porque, definitivamente, não vai. É muito mais fácil olhar para o lado e ver pessoas bem sucedidas e dizer “tem sorte”, “é rico”, “teve oportunidades que eu nunca vou ter”. Eu acredito mais no “correu atrás”, “fez bons contatos ao longo da vida”, “não teve medo do ‘não’”, “deu a cara a tapa”, “teve a coragem que eu não tive”. Mas nunca é tarde para correr atrás e conquistar algumas (ou muitas!) coisas.
10. Dê valor ao seus desejos e ideias. Faça acontecer!
Sempre fui de ficar fazendo planos e mais planos, mas colocar em prática, raramente. Creio que todas as carreiras tenham muitas vertentes e não vejo o menor problema em atuar em mais de uma delas. Aliás, acho até que aliar carreiras diferentes pode dar muito certo.
Isso nos movimenta, nos faz sair da zona de conforto e está totalmente ligado aos objetivos que falei anteriormente. (Mais) um exemplo pessoal: há um tempo penso em dar aula no ensino superior ou técnico de disciplinas relacionadas a minha área, mas para isso eu preciso fazer uma pós-graduação e fazer contato com as faculdades que oferecem essas disciplinas. Indo mais longe, eu gostaria também de ser coordenadora do curso no qual eu me formei.
Então temos o seguinte:
Objetivo a longo prazo: Ser coordenadora de curso em escola de ensino técnico ou superior.
Objetivo a médio prazo: Ser professora de curso em escola de ensino técnico ou superior.
Objetivo a curto prazo: Cursar pós-graduação e fazer contato com pessoas que podem me ajudar a atingir meu objetivo de médio prazo.
Destrinchar nossas ideias e desejos nos mostra que eles estão muito mais próximos do que imaginamos. Treinar nosso olhar para reconhecer o que há de bom em tudo a nossa volta, inclusive aquele emprego chato/difícil/sem perspectiva que aparentemente temos, vai fazer toda diferença na carreira, mesmo que seja a longo prazo. O agora só nos permite ver os resultados daquilo que fizemos no passado, paciência e resiliência são fundamentais para chegar aonde queremos, desde que saibamos o que queremos, é claro.