À beira do mar.
Hoje me encontrei com Ruah. Foi na beira do mar. O dia começava, coloquei os pés na areia, estendi a canga e me sentei.
De um lado criança rindo, mãe rindo, as ondas os desequilibrando. Do outro uma tentativa de altinha e os banhos de mar dos meninos.
Fecho os olhos e todos esses sons se misturam. As ondas que quebram, os risos sobrepostos, o cachorro que corre na areia.
Depois ainda dizem que Deus não fala de forma metafísica. Pois hoje Ela falou e eu ouvi.
Ruah. O vento firmou, forte o suficiente para não sentir nem calor nem frio.
Apresentei, como quem se defende, meu desejo. O mais forte, mais existente de todos. Marquei a data e deixei no mar a minha água salgada.
Não fiz isso como quem confortavelmente assume a inação. Mas fiz porque de tanto desejar criei o medo e tenho suspeitado desde então que nada melhor para desarmar o medo do que a entrega.
