Do dia que me descobri romântica.

Rebeca Eler
Aug 24, 2017 · 2 min read

Um amigo me falou que escrever é exercício. Eu sempre fui romântica. Gosto de não saber o que vou escrever. Gosto quando as palavras vem e eu nem estava esperando por elas. A ideia da escrita enquanto exercício me incomoda, e eu nem sabia muito bem porque.
Depois de pensar um pouco descobri o problema. O exercitar a escrita é me colocar de frente com a folha/tela vazia.
Quando meus textos fluem como um lindo acidente o vazio nem é perceptível. Muito rápido os parágrafos enchem o espaço. A escrita como exercício já exige de mim voltar atrás. Apagar. Encarar o vazio, a ausência, o não saber.
Se isso não fosse suficiente rola também o medo. Será que tem um linha lógica? Quem me lê me entende? Será que preciso que me entendam? Quando vi o vazio já desencadeou quase uma crise existencial que eu poucas vezes tenho habilidade de lidar.
Ao mesmo tempo que vejo isso, hoje de forma que nunca imaginei querer, quero a escrita pensada, bem (ou mal) intencionada, proposital. Vira e mexe vou esbarrar na escrita acidental, falar sobre o pôr do sol. Mas quero hoje aprender a escolher as palavras certas. Começar a congregar as ideias e comunica-las em poesias e teses e teses poéticas.
Quero falar do meu corpo, da minha fé, das inquietações e dos afetos que me sufocam.
Romper a preguiça e saber que o tempo da escrita é diferente do tempo da fala. Dominar a escrita como me domino pela fala.
Esse texto parte desse experimento. Parte escrevi por acidente, parte escolhi a dedo e sufocada.

)

    Rebeca Eler

    Written by

    Meio perdida nas palavras.