Eu já tive um blog.

Sim, eu já tive um blog. Alguns anos atrás eu escrevia num blog que não divulgava. Escrevia muito mais para mim do que para que me lessem.

A grande questão desse blog é que ele era composto por palavras intrusas. A grande habilidade de ser boa anfitriã de histórias eu nunca tive. Nunca soube muito bem como convidar assuntos e frases para se sentarem a mesa comigo e dali elaborarmos bons parágrafos.

As palavras sempre foram intrusas na minha vida. Como estão sendo aqui e agora enquanto escrevo esse texto.

Elas chegam chegando, vão se acomodando e se organizando na minha cabeça e depois pelas pontas dos meus dedos no teclado. Quando vejo já foi. Se paro pra pensar sobre elas fogem, correm e se escondem. Por isso não penso. Absorvo e o que tem em mim saí pra fora.

As vezes isso resulta em meses de silêncio e as vezes em dias de gritaria. As vezes encontro as minhas palavras escondidas nos ditos de um outro alguém e as vezes o que digo não faz nenhum sentido pra fora de mim.

Acho que por isso sou tão ruim nos escritos acadêmicos, formais. Tudo em mim é teimosia e dizer para as minhas palavras que elas tem a obrigação de se organizarem é gerar nelas rebeldia tamanha que não sou capaz de organizar um parágrafo sequer.

Mas estou aprendendo, que boa essa ilusão da maturidade. Não convido mais palavra nenhuma, nem arrumo a mesa pras ideias. Deixo a porta aberta e quando elas chegarem estou aqui.