Mariana, entre o azul e o marrom

Distrito de Mariana, Minas Gerais

Estive em Mariana em novembro, no feriado de Finados, dois dias antes da tragédia da Samarco. Lá conheci um rapaz jovem que pintava quadros da cidade, enquanto os exibia no mesmo local pra venda. Os quadros retratavam em sua maioria as igrejas e ruas de pedras. O tom azul era uma característica marcante de todos eles. “É a minha marca, o azul. Não sei, mas acho que a maioria dos pintores vive a vida tentando se encontrar na própria arte, e eu posso dizer que sou muito feliz por já ter me encontrado”, interrompeu-me o pintor. Foi uma resposta sem pergunta, e um dizer sobre a arte que destacou o meu dia. Dois dias depois, as redondezas de Mariana seriam invadidas pelo marrom da barragem, e eu passaria todos os dias seguintes me perguntando em que quadro catastrófico aquele pintor havia se perdido desde então.

11 de novembro de 2015

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