Metrô paulista

Sensação estranha. Estou e não estou. Estou em vários lugares ao mesmo tempo. Nos desencontros arrependidos, nos encontros apaixonados. Na hora atrasada, no cansaço do fim de tarde. Na correria do dia, e na calmaria a noite. Com fone de ouvido, sem, falando ao telefone. Olhando pela janela, ou vagando ao redor do vagão. Na cabeça encostada no vidro. Na repetição do escorrer da chuva através das lágrimas. Tantos amores idos e vindos. Tanta história pra contar. A cada estação, uma sensação. Entre ir e ficar, o vão de entrada. O de saída. O metrô de São Paulo tinha algo de lúdico que o meu pouco entendimento sobre poesia não dava conta de explicar. Tantos olhares afoitos. Perdidos. Mecânicos. Preenchidos pelo vazio da noite. O nada.
19/01/2014