O lapidar de uma alma

Não gosto de pensar no que eu era, no que eu fui. É frustrante. Não pelo o que eu era, mas pelo o que sou.

Ela é algo tão bom. Feliz.

Não, ela não pensa muito no termo “felicidade”, pessoas felizes não pensam nisso, elas simplesmente sentem. As frustradas, amarguradas, infelizes, tristes… Essas sim pensam no termo, é a maneira que elas encontram de se aproximar dele, mesmo que esses pensamentos causem mais dor, mesmo que as façam chorar.

Mas não é disso que quero falar- ao menos não diretamente- quero falar dela.

Ela; tão cheia de si, tão cheia do mundo. Docemente arrogante, exalando uma superioridade digna de pessoas felizes.

Sorria todos os dias, porque sua plenitude era tanta que precisava exalar de alguma maneira.

Tão querida. Era apenas um reflexo do mundo em que vivia. O seu mundo de ilusões e sonhos. E como sonhava.

Sonhos eram sua essência.

Via beleza em quase tudo, e naquilo que não via, em sua cabeça doce e sonhadora, transformava em belo.

Grande alma; grande alma. Tão bela, tão bruta.

Infelizmente foi lapidada de maneira errada, e aquela linda e brilhante joia se tornou algo sem valor, sem formato.

Ela sou eu. Ela já fora eu. Mas, eu a vejo como alguém que conheci, e que jamais voltarei a ver.

É melhor assim… Desse jeito eu não me envergonho e ela não se decepciona. Vou guarda-la no meu velho livros de fotografias que chamo de memoria e apenas abri-lo quando sentir saudades de mim.

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