Desconstruindo o marketing com Growth Hacking

Ser criativa, pensar fora da caixa e gostar do imprevisível — o inusitado. Características básicas que me fizeram optar pela área de marketing logo que iniciei minha vida profissional. Eu gostava e detinha todas essas habilidades. Lidar com pessoas não era meu forte, mas a gente vai adquirindo novas skills ao longo dos dias e aprendendo que não é só na TV que existe essa tal de politicagem. Mas voltemos ao assunto principal deste texto: o marketing.

Pois bem. Muitos optam pela área das comunicações por não ter que lidar com a tão temida matemática e o que ela traz- não foi o meu caso, pois sou formada em gestão e os números me acompanham diariamente -, mas ao avançar na carreira, se percebem cada vez mais imersos no mundo dos números, algoritmos, variáveis, análise de cenários, etc.. Tamanho de banner para sua página na web, dimensão de anúncios que chamam mais atenção, código da cor usada na campanha anterior, quantidade de clientes fidelizados, tempo médio de permanência no seu e-commerce.. Ah, o budget! Com certeza, este não pode ser esquecido.

O choque de realidade chega ainda mais cedo, hoje em dia, com a “descoberta” dos dados. E, com eles, talvez uma frustração sobre a carreira das comunicações. Não tenho dúvidas de que o Google Analytics mudou as vidas de todos aqueles que lidam com pessoas e o mundo digital em suas profissões. É claro que aquelas características que citei lá em cima ainda são importantes — e sempre serão. [Guardem este pensamento!]

Então: analytics! A análise de dados para tomada de decisão tornou-se nossa melhor amiga. É quase como se fosse a nossa bola de cristal, com a possibilidade de aprender e antecipar situações apenas em números. É surpreendente, pra falar a verdade! Sentimo-nos empoderados em prever cenários e acertar os resultados de certas ações. É quase como um alívio quando dá certo e temos a liberdade de usar aquelas características lá do início: o espírito livre. É ele que dá asas à nossa imaginação e faz com que as nossas crianças interiores se aflorem e façam a mágica acontecer.

As possibilidades tornaram-se quase que infinitas e, ao mesmo tempo, sentimo-nos limitados. Aquele frio na barriga antes de testar uma ideia ainda existe, mas de forma diferente. Adaptar-se a esta realidade é um desafio. Entretanto, essa já não é a realidade. Nosso dia-a-dia foi preenchido pelo termo Growth Hacking. E aí que chego na desconstrução do marketing através do nosso novo amigo: o crescimento rápido.

O Growth Hacking Marketing chegou mudando o cenário do marketing de maneira surpreendente e definitiva. Utilizado por muitas start-ups para adquirir um rápido crescimento, este conjunto de técnicas tem sido liderado por profissionais de diferentes áreas da organização — muitas vezes, não sendo executadas por comunicadores e marketeiros. Diante deste espetáculo em que nos víamos não sendo os protagonistas das nossas próprias histórias, vimo-nos desesperadamente necessitados de desenvolver novas habilidades. Porém, para este desenvolvimento, algumas “manias” precisam ser desprogramadas em nós mesmos.

O princípio do Growth Hacking baseia-se em três palavras: teste, mensuração [dados!] e escalabilidade. Isto é, para que uma ideia seja passível de ganhar vida, ela precisa ser:

  • Testável — é preciso reduzir o tamanho da amostra para que o teste seja possível, tendo uma resposta rápida sobre aquela ação (MVP);
  • Mensurável — quais serão os objetivos desta ação, o que será medido para comprovar se o teste foi um sucesso? [dados, dados, dados!]
  • Escalável — dando certo, como esta ação será passível de crescimento? O que poderá ser feito, considerando que, quanto maior for, maior será o resultado?

Por exemplo:

A ação como um todo é verificar a aceitação de uma nova campanha de produtos de maquiagem para o verão (nem vamos considerar receita neste momento, apesar de ela ser o foco por trás de todas as nossas ações). Ao invés de planejar a estratégia toda, criar todos os materiais para divulgação e gastar milhares para um lançamento que não se sabe como será, criamos a estratégia de lançamento de um único banner (por exemplo, ok! A teoria, na verdade, indica que façamos um brainstorm para elencar diversos possíveis testes). O material é criado e posto para divulgação teste. Nosso objetivo? Validar a aceitação dos clientes que curtem a página no Facebook. Portanto, o teste será nesta plataforma.

Determinamos a quantidade de likes, comentários e compartilhamentos (a interação em si) necessários para considerar o teste um sucesso e o colocamos no ar. Dado o tempo estabelecido, os números podem ser analisados. Em caso de sucesso, a escalabilidade pode ser dar através do impulsionamento da publicação (novamente, exemplo!) e, assim, aumento do engajamento com o novo lançamento. Novos nichos, novas regiões, novos banners que conversem com diversas personas deste mesmo nicho podem ser explorados na escalabilidade deste teste. E é aí que voltam as características láá do início deste texto: criatividade, pensar fora da caixa e gostar do imprevisível.

O que a realidade das comunicações e, principalmente, do marketing tem nos apresentado é o estabelecimento de limites para as mentes criativas. É preciso nos remodelarmos a um novo estilo de mindset, considerando as três palavras que passaram a ser nossas companheiras diárias: teste, mensuração e escalabilidade. Se a sua ideia não tiver esses três pré-requisitos, nem se dê ao trabalho de levá-la adiante.

Mas, calma lá! Não se apavore. TODAS as ideias podem — e têm — esses pré-requisitos. O que ainda pode ser difícil é que nossas mentes já calejadas de manias e preceitos identifiquem estas três partes de forma fácil. Mas, também, dificilmente alguém aprende a andar de bicicleta tirando as duas rodinhas de apoio de uma só vez, não é mesmo? É preciso tempo, dedicação e exercício. E, acredite, esse último ponto pode te fazer suar mais do que ir na academia! 😅(relato próprio)

PS.1: Eu ainda ando com a rodinha de apoio, mas seguimos nesta aventura diária de novos e instigantes desafios.

PS.2: Fugindo aos novos preceitos, meu primeiro texto aqui não apresenta nenhum dado explícito. Told ya: support wheel, bro. 🚴‍