Conecting…

Bom, são 1:22 da madrugada e eu já deveria estar dormindo há umas 3h, mas voltei ao vício do Instagram (meu fiel escudeiro nessa vida sem iphone) e no meio do caminho, achei alguém com um interesse em comum: Astrologia! Daí se foram umas 2h de conversa sobre o meu mapa solar e a inferência dos astros em cada uma das 12 casas que cada um de nós possui. No final da conversa, refleti sobre uma série de conexões que me levaram a mudar certos pontos de vista e sobre a conexão que acabara de fazer com uma amiga de uma amiga de uma amiga que poderia ser só mais um like meu. A sucessão de acontecimentos conectores não pára. Outro dia eu estive em uma ligação por duas maravilhosas horas com um rapaz que eu não vejo há 10 anos e que nunca fui amiga — DEZ ANOS!!! — e foi absurdamente enriquecedor entender a trajetória dele. Conheci uma moça que aos 23 tem a vida que uma geração sonha em ter por mérito e oportunidades que ela desenhou para si. Passamos horas debulhadas nas história de vida dela e na minha, fazendo conexões sobre um dos assuntos que mais amamos: colaboração. Numa mesa de bar, há uns 2 meses, consegui que um amigo tímido refletisse sobre a necessidade de se mostrar para se conectar e funcionou. Funcionou tanto que mudou perspectivas e disseminou a ideia. Me conectei com um rapaz que conheci e o assunto floresce com a maior naturalidade, apesar de sermos bem diferentes. Ainda hoje tive esse mesmo assunto com uma amiga-irmã, mas esse aqui é assunto para outro dia.

Aí eu levanto um questionamento para entrarmos neste assunto longo e cheio de firulas: Mas porque será que é tão importante ter networking? Depende. Depende do que você tem por propósito, depende da energia que você emana e recebe, depende de muitas variáveis também, portanto, vou relatar, sob minha ótica, o motivo pelo qual acredito ser importante ter, não apenas networking, mas conexões.

Ora, desde que o mundo é mundo necessitamos uns dos outros para as mais variadas funções, correto? É nesse pulo do gato que nos conectamos. Na precisão do outro, nem sempre em presença, mas sempre em vibração. Veja a mágica acontecendo bem diante da sua tela: você está se conectando comigo. Digo mais: você está se conectando comigo pelo mesmo meio pelo qual você se conecta com absolutamente todas as pessoas: vulnerabilidade. O que está escrito é óbvio, mas nem todo mundo lê. As pessoas só se conectam pela vulnerabilidade! Como assim?

Pensa comigo: Quando você está com seus amigos, você relaxa. Ficam à mostra seu rosto com espinha, seu short rasgado na bunda, seu pé no sofá. Se você está com pessoas as quais você não sabe de onde saíram, você vai perfumado, engomado e altamente envaidecido (aqui só se contam vantagens). O que ninguém percebeu é que do outro lado da mesa também tem um cara que arrotou a coca-cola do almoço falando o alfabeto inteiro e que já frustrou as expectativas de alguém no trabalho. Olha só… extremamente vulneráveis, não? Agora você deve estar se questionando: “ué, mas essas coisas eu tenho que esconder mesmo!” O que ninguém percebeu é que você perde toda a parte boa: desvendar mundos, mudar perspectivas, desconstruir, reconstruir, evoluir, criar, colaborar, compartilhar e conectar.

A vulnerabilidade, se pensada com egoísmo, é a chave para os piores pesadelos que alguém pode ter, e esta é pior faceta da conexão: a mal sucedida. Só que aqui o azarado não é o que se mostrou de carne e osso, foi o que julgou ser melhor do que o quase-amigo-de-infância vulnerável e que toma as mesmíssimas atitudes dele. Continuou tão ou mais vulnerável e perdeu de viver a mágica de descobrir, por exemplo, os melhores bordões e piadas, um conselheiro imbatível, um ouvinte incansável, um par para um negócio, para o kit na porta da festa ou só para avaliar se aquele “b” arrotado tá valendo ou se vai ter que refazer.

Quem se tolhe, se frustra. Se permitir viver é algo extremamente positivo. As amarras sociais e os preconceitos aos quais somos expostos desde cedo, de fato, moldam nossas atitudes, mas é na experimentação, na pesquisa empírica que nos conectamos com nosso verdadeiro eu e facilitamos nossa existência. Não está valendo esperar a mesa de bar ou o efeito do álcool para fazer amigos ou simplesmente para começar novas conexões. O motorista do ônibus serve, o professor, o chefe, o amigo do amigo então… A regra é simples: se mostrem sem medo. Pergunte. Escute. Ache pontos em comum ou, se não tiver, demonstre interesse no aprendizado, porque aquele ser humano não está na sua frente por nada. Mostre algo que você percebeu que ele gosta e, acima de tudo, seja gentil e respeite a vulnerabilidade. Você nunca vai saber o quanto foi doloroso para aquela pessoa se expor além do superficial para você. Conecte e confie, seja para dar aprendizado, seja para receber. No final das contas, seremos a média das pessoas às quais mais nos conectamos, então é melhor colecionar experiências!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.