Renata

Em terras tupiniquins, meu nome sempre foi apenas mais um no meio de tantos outros: Renata, Rafaela, Gabriela, Laura, Maria, Tatyana, Pedro, João, José, Gabriel, Lucas. Apenas mais um nome brasileiro usado sem qualquer reverência ou cuidado. Nunca incitou a curiosidade de ninguém, nem nunca gerou qualquer estranhamento. Até o dia em que resolvi morar fora.
Do nada eu passei a explicar como se soletra o meu nome. Eu comecei a dizê-lo de uma maneira bem vagarosa, explicando como os Rs no começo de uma palavra, em português, tem o som do “h” americano. Sem perceber, me transformei numa verdadeira defensora da existência do meu próprio nome. “Prazer. Me chamo Renata. Em inglês é como se fosse escrito com H-E-N-A-T-T-A. Mas não se preocupe se você não consegue pronunciá-lo corretamente. Eu sei que é meio complicado. É um nome brasileiro.”
Mesmo que eu tente me convencer de que a maneira como meu nome é pronunciado não importa, isso não é lá muito verdadeiro. A pronúncia correta soa como estar em casa. Talvez seja por isso que eu comemore loucamente quando alguém consegue dizer meu nome corretamente. É como voltar pra casa, é como ser apenas mais uma novamente.