Amor é café quente e eu sempre queimo a língua

Maré Cheia (23/04/2017)

A espuma espessa se dissolve em fumaça em um sinal da temperatura elevada, o vapor alerta ao chegar perto dos lábios como quem anuncia o iminente perigo, mas já é tarde pra qualquer reação mesmo que involuntária . O aroma me prende. Eu conheço a intensidade, o calor, a dor e, ainda assim, bebo. Talvez se esperasse, com resiliência e paciência teria experiências melhores com amores e cafés, mas eu tenho sede e sentimentos não tem a mesma graça quando frios.

Já tive amores mornos, que aquecem sem queimar, que ficam sem machucar, com gosto de primavera. Mas os amores quentes, esses transbordam e incendeiam, queimam os lábios, línguas, pulmões, consomem cada átomo em chamas. Já não tenho medo das altas temperaturas, até aprendi a conviver com o incômodo das cicatrizes. Amores flamejantes ardem e eu gosto é do estrago. Permito-me, então, deixar queimar.

Por todas as sensações incendiárias que cabem dentro de uma xícara de afeto.

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