Talvez seja hora de abandonar velhos costumes

Júlio Hermann (27/02/2017)

Tenho me sentido em um sinuca de bico nos últimos dias, sem saber exatamente para onde ir e revendo cada um dos pontos da minha vida para ter certeza do que consigo levar comigo e o que preciso deixar para trás. Mas não é fácil assim.

Revejo os fatores, tento cataloga-los para entender a importância exata de cada detalhe para aquilo o que quero ser daqui para frente. Ato fácil demais, aparenta, mas sobe uma série de sentimentos e dúvidas que entram inevitavelmente na equação.

Uma das coisas mais difíceis para mim sempre foi precisar abrir mão do que tenho apreço. Me fazem bem, me levam a momentos de prazer particulares que gostaria de levar até o fim da vida, mas não será possível se meu caminho tomar o rumo que se apresenta à frente. Talvez passe duas semanas e eu aprenda a conviver bem com tudo que é novo. Talvez bata recaída.

Não sei se as coisas funcionam assim só para mim, mas parece que deixar no passado fragmentos de uma rotina que parece tão certa seria arriscar demais. Bate medo de não aguentar e olhar para trás, bate medo de esquecer mais de mim do que deveria na hora da mudança. Bate e fica martelando dentro da cabeça se é exatamente isso o que preciso fazer para ser um pouco mais feliz.

É duro decidir, ainda mais quando se carrega uma marca de indecisão dentro da cabeça. A sensação que brota é de que nada será como antes a partir do exato instante em que eu decidir. Como se não desse para voltar atrás se as coisas não forem pelo rumo que meu peito quiser. Como se fosse definitivo.

Apesar de me enxergar encurralado em uma série de sentimentos que ainda não aprendi a catalogar, tenho certeza que meu peito não vai sentir receio de voltar atrás se as coisas não forem exatamente como parecem ser. Afinal, a vida é sobre arriscar e ver no que as coisas não vão dar, não é? Que meu peito tome coragem agora.

Talvez essas coisas sejam somente prazeres carnais, talvez sejam minha carne em si. Com o tempo eu descobrirei. Então, que eu tente deixar para trás uma série de costumes que não conseguirei levar nos próximos passos que decidir dar, só para ver onde minha vida vai dar.

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