Saúde é meu lugar

Projeto apresentado durante Encontro Nacional 2016 pretende circular histórias sobre o trabalho em saúde nos territórios

O dia a dia do trabalho em saúde nos territórios é cheio de histórias emocionantes, momentos difíceis, causos engraçados… Mas que raramente circulam fora do centro de saúde, do bairro, da equipe envolvida. A ideia de mostrar essas histórias para todo mundo é que está por trás do projeto Saúde é meu lugar, desenvolvido pela RedEscola e lançado durante o Encontro Nacional 2016.

Já fazia algumas semanas que ele vinha sendo anunciado em sua página no facebook, mas o público ainda não tinha certeza do que se tratava. Finalmente, em sua apresentação, o coordenador Caco Xavier explicou o que vai acontecer a partir de agora: vai ser elaborada uma mostra online de vivências nos territórios e, em meados do ano que vem, pelo menos cinco mostras físicas regionais vão acontecer em todo o país. No fim desse processo, a mostra online vai continuar disponível permanentemente na plataforma do projeto, que está prestes a ser lançada.

A convocatória para a mostra online vai começar nos próximos dias e a participação vai se dar em um processo bastante simples. Qualquer pessoa que trabalhe com saúde e atue nos territórios pode participar: “Nossa estratégia de convocação foi pensada para facilitar a participação de trabalhadores que normalmente ficam invisibilizados nesse tipo de espaço: os agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias, agentes indígenas de saúde, agentes sociais dos consultórios de rua”, disse Caco, afirmando, porém, que o convite é geral: “Podem participar gerentes das unidades básicas, enfermeiros, médicos, psicólogos, fisioterapeutas, trabalhadores técnicos de todas as áreas, pessoas que trabalham na administração, nos serviços de limpeza, no atendimento, na segurança e qualquer outra categoria que eu não tenha citado aqui”.

O tipo de história que pode ser contada também é aberto: “São histórias que ensinam, que falem sobre o dia a dia do trabalho, relatos das possíveis falhas e das negociações constantes, enfim, todas as histórias que os narradores querem e podem — só eles — contar. Elas não precisam ter uma finalidade específica, basta ser algo que aquela pessoa quer passar adiante”, disse o coordenador.

As narrativas podem ser enviadas para a mostra em diversos formatos, e não apenas em texto, como costuma acontecer. “Não queríamos privilegiar esse tipo de relato, pois isso acaba silenciando quem quer se expressar de outra maneira”, contou Caco. Assim, os narradores podem enviar também áudios, vídeos e fotos, e tudo pode ser feito usando um meio de comunicação cada vez mais acessível: o WhatsApp.

A equipe do projeto vai coletar os relatos e uma equipe de curadores vai ficar responsável por reunir, agrupar e circular essas histórias. “Esses curadores estão espalhados por todo o país e são de preferência profissionais da saúde, como residentes em saúde da família, trabalhadores das Escolas e outros”, disse Caco, explicando que essas pessoas vão ver o máximo possível de narrativas e fazer uma curadoria bem semelhante à curadoria artística: “Não vai haver interferência nos relatos, nem avaliação, nem ranqueamento. Todos os relatos enviados ficarão hospedados na plataforma do projeto. Mas essa equipe vai combinar as narrativas de modo a possibilitar novas construções de sentidos, vão agrupar relatos que façam sentido juntos, e, com isso, criar novas narrativas”.

O papel das Escolas da RedEscola vai ser fundamental, inclusive na divulgação do projeto em seus municípios e estados. Mas, além disso, elas serão as principais organizadoras das mostras regionais, que serão elaboradas de acordo com as demandas em saúde em cada região.

Oi, eu sou o Pinion

A mostra tem um personagem que representa a importância do lugar nas narrativas: o ‘pin’ que marca as localizações nos mapas virtuais virou o Pinion, um bonequinho que apresenta o projeto, convida o público a participar e tem ele próprio uma série de histórias. Elas já estão circulando, tanto no facebook quanto no instagram do projeto.

Para receber novidades sobre o projeto, basta adicionar o número (21) 97147–1780 no WhatsApp e enviar uma mensagem com a frase “Saúde é meu lugar”. O endereço de e-mail para tirar dúvidas é: contato@saudeemeulugar.com


Raquel Torres — Jornalista da REDESCOLA