Como perder uma final

No dia 10 de março, o Liverpool encerrou a primeira etapa vencendo por 1 a 0 o Manchester United pela partida de ida das oitavas de final da UEL. Assim como na final na Basiléia, Sturridge foi o autor do único score da partida. Da mesma forma, o Liverpool poderia ter saído com mais gols no bolso e o jogo resolvido.

A escalação do Liverpool naquele dia foi quase idêntica à da final, com Henderson substituindo o machucado Milner e Sakho ainda disponível antes de sua suspensão. Também foi quase idêntica a reação do adversário ao iniciar a segunda etapa. O United não conseguiu um gol mágico com 15 segundos como o Sevilla (cortesia de Moreno), mas passou a alugar o meio de campo do Liverpool da mesma forma que os espanhóis fizeram após empatar o jogo. Minuto após minuto, os Reds ficavam cada vez mais nervosos e acuados dentro de sua própria área.

Aos 18 minutos, em Anfield, Klopp agiu. Tirou de jogo o artilheiro Sturridge e pôs em seu lugar Joe Allen, a fim de recuperar o meio campo e criar uma válvula de escape — e tranquilidade — na saída de bola. A mudança funcionou como mágica: o Liverpool voltou a atacar o United e praticamente sacramentou o confronto com mais um gol, levando uma gorda vantagem a Old Trafford.

O mesmo Klopp teve muito mais tempo para perceber a mesma coisa no St. Jakob-Park. Enquanto a dominância do United foi crescendo de forma gradual nos primeiros 15 minutos, o Sevilla, empurrado pelo gol lhe presenteado por seu ex-lateral, massacrou por 19 minutos o Liverpool. 19 minutos em que todos sabiam, salvo um acidente de percurso, o que iria acontecer: mais um gol espanhol.

Nesse momento, vale fazer um aparte porque é difícil separar o macro do micro. O trabalho do Klopp, herdando um elenco bagunçado, com fragilidades, 2 bons jogadores gravemente lesionados etc e tal, e levando a duas finais é inquestionável. São ótimos sinais para o que está por vir agora que o alemão poderá trazer jogadores e ter uma pré-temporada. Porém, isso não nos impede de questionar alguns erros de ação dentro de jogo do treinador,

Como exemplo, podemos citar 5 pontos perdidos pelo Liverpool após estar vencendo por 2–0 onde substituições estranhas (Skrtel por Lovren contra o Southampton), ou a ausência ou demora a executá-las (Lucas contra o Sunderland e Henderson contra os Saints) pode ter custado a vaga na UCL, perdida por 6 pontos. Isso tudo é discutível e deve ser debatido sem protecionismo bobo ao treinador (que entendemos ser visto pela torcida como o salvador da pátria e que, sim, tem ótimas credenciais).

O próprio milagre contra o Dortmund só teve que se materializar porque o time foi muito mal selecionado e Klopp demorou a corrigir o erro que cometeu na escalação. Porém corrigiu a tempo dos jogadores tornarem o impossível possível.

Em resumo: sim, o Liverpool foi muito prejudicado pela arbitragem no primeiro tempo (2 pênaltis claros ignorados) e foi muito prejudicado pela atuação bisonha de Moreno no segundo tempo. E sim, o time perdeu a cabeça com o empate relâmpago do Sevilla. Mas isso não influencia na incompetência de Klopp (nesse jogo) em fazer o que estava a seu alcance para reverter a correnteza do jogo. Trazer Allen e Henderson no lugar de Moreno e um dos quatro de frente (todos vinham muito mal no segundo tempo e estava exaustos — a exaustão sendo um grande motivo pelo qual a escalação com só 2 homens de meio teve que ser revista durante vários jogos) deveria dar mais estabilidade tática e, por serem dois jogadores com alguma experiência e vindo de fora do calor da ação, dar também mais estabilidade mental a equipe.

Infelizmente demorou-se demais para tentar salvar a final. Que as cicatrizes de mais uma capitulação sirvam de aprendizado pro futuro.

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