Refúgio Criativo {2}
Vivência: Vida Criativa / Minas Gerais
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O Atlas convidou o estilista Ronaldo Fraga, a psicanalista Mônica Godoy e o empresário Daniel Spach para juntos desenharem esta edição do Refúgio Criativo, que teve como abordagem o tema Uma Vida Criativa: como orientar-se para um sentido mais amplo da criatividade, que visa perceber o indivíduo em sua totalidade — corpo, mente e espírito — e suas relações consigo e com o todo?
Não se trata de uma rotina voltada para a produção artística, mas de construir uma jornada motivada pela curiosidade e para a criatividade.

A criatividade tem como pressuposto uma vida curiosa, implemento essencial de toda atividade criativa, na qual os processos pré-conscientes do psiquismo humano (nossas memórias e conhecimentos) fazem a ligação entre o consciente e o inconsciente de forma mais livre e fluida. Escolher viver criativamente significa estar em um estado constante de alerta e inspiração: aquele momento em que nossos pensamentos relacionados ao passado ou futuro dão lugar apenas ao foco no presente.
Praticar criatividade com consciência é usar a criatividade em todas as dimensões de nossas vidas e não somente em algumas pré-determinadas ou escolhidas; pressupõe abordar a criatividade do ponto de vista sustentável, conectando-a às interações com a natureza, às relações sociais harmônicas ou à valorização das culturas locais.
Acreditamos que a criatividade é resultante das vivências individuais, mas que são potencializadas na troca de experiências coletivas.
Vivemos em um momento de transições (culturais, econômicas e políticas), no qual os antigos modelos dão lugar a novos contextos: movimentos colaborativos, sustentabilidade e experiência são alguns deles.


A VIVÊNCIA
Dos ‘saberes’ ancestrais aos ‘fazeres’ do futuro.
Durante quatro dias esta experiência imersiva proporcionou um momento coletivo de maior introspecção, através do alinhamento entre a mente, o corpo e o espírito para exercitar uma vida criativa mais consciente. Focada em um propósito e equilibrando a relação do indivíduo com ele mesmo e com a sociedade, buscou-se perceber a diferença que faz quando harmonizamos nossos caminhos e questões internas e como pode ser produtivo o trabalho de uma pessoa afinada consigo mesma.

Falamos sobre como podemos nos conectar com a nossa criatividade mais autêntica, proporcionando um momento de reconexão com nosso alinhamento pessoal criativo, colocando-nos no centro de nossas próprias vidas. Permitir-se. Dar espaço para o autoconhecimento e para novas descobertas singulares de como se relacionar com este sistema e o mundo contemporâneo.

Trabalhamos em conjunto para discutir sobre os novos criadores, mais conscientes e inspiradores, a partir de necessidades e percepções pessoais. Criamos produtos, fizemos análises, falamos, ouvimos e observamos. E assim, cada um pôde estar mais perto de si e do outro, dando consistência à sua criação.
Profundidade e leveza. Nos esvaziamos, mas para abrir espaço para uma manifestação de maior intensidade. Fomos provocados, guiados pela generosidade, entrega e partilha de cada um dos participantes, buscando, em síntese, encontrar pontos de conexão e alinhamento de caminhos e questões interiores, seja através do olhar para o outro, o entorno, nossas produções criativas ou através do simples e poderoso ato da observação, silêncio e entrega.
{ Descubra: DEPOIMENTO DE DANIELE REZENDE }
"Foi realmente um refúgio… No início pisava-se em pedras, gramas, ora espinho, ora o acalentar do amadeirado, ora o frescor da pureza, ora nuvens e hora não era nada.
Ah a hora… Onde estava você? Perdida, como muitas vezes senti ali; perdida, confusa, pesada. Desencontrada. Desencontros marcados por vários encontros, guardados a cada tum, tum, dispersos pelo gongo.
Encontros… No caminho da ida, flores e espinhos; rosas que convidavam a sentir seu cheiro, uma sensação de beija-flor. Mas voar, a princípio, não. Esvaziar-se era preciso, o vento ainda era um abraço que nos direcionava para uma temperatura aveludada e fresca, que tocava a pele, soava na alma.
Ah, o som! Ah, os sons! Ouvidos por várias mangueiras, trouxeram histórias, em suas mais diversas ondas, frequências pensantes que tocavam o mais íntimo dos tempos… a memória. Invisível e visivelmente revelada nos olhos. Muitos olhos… Olhos do coração que, às vezes dilatados, encontravam-se nos instantes. Olhos ressecados, olhos alagados, que aos poucos esvaziavam a alma, o corpo, o peso. Esvaziar-se era preciso. Encontrar-se, sentir as próprias asas. Transformação. O coração pulsa, pulsa, pulsa… Nasce a coragem do amor.
Voar. No caminho da volta, o reencontro, o recriar."
CASA DAS CANDEIAS
Nosso destino foi a Serra da Moeda e na Casa das Candeias, a cerca de 55km de Belo Horizonte, instalamos nossa principal base, em um refúgio localizado numa cadeia de montanhas com 1.500 metros de altitude — região de valor histórico e natural mineiro.




Situada a cerca de 55km do centro de Belo Horizonte, a Casa das Candeias é um sítio, um espaço mágico, a casa da bruxa, o lar da vó, a cabana das crianças. Um ponto de encontro de pessoas, ideias, histórias e ideais, um lugar para semear, tecer e agrupar. O local, além de envolver pessoas e ajudar a comunidade em seu entorno, está pautado na produção e consumo de produtos e insumos da região (do artesanato à alimentação), tendo na agroecologia a base de seu pensamento.






ATELIÊ RONALDO FRAGA E CASA FLORESTA
Em Belo Horizonte conhecemos o universo criativo de Ronaldo Fraga, que compreende o seu ateliê e a atmosfera em art déco da Casa Floresta, um espaço dos anos 1930 que por muitos anos foi a residência do estilista e sua família.



Localizado no mesmo bairro onde viveram Drummond e Noel Rosa, foi neste reduto que tivemos momentos de encontros e conexões, abordando processos de criação, a relação com o desenho e a valorização da memória como o fio condutor na construção de novas identidades.




INSTITUTO INHOTIM
No espaço entre os dois pontos — Candeias e o ateliê — fizemos uma imersão no Instituto Inhotim, um dos mais importantes acervos de arte da América Latina, que une natureza, arte e arquitetura em uma simbiose inigualável. Neste lugar de experiência singular cada um pôde apreciar os ambientes no seu tempo e, ao final, nos reunimos para alguns recortes sobre a vivência.




Trabalharemos em conjunto para discutir sobre os novos criadores, mais conscientes e inspiradores, a partir de necessidades e percepções pessoais. Encerra-se cada dia com um produto ou sua observação e análise. E assim, cada um poderá estar mais perto de si e do outro, dando consistência à sua criação.
{ Descubra: DEPOIMENTO DE SILVIA FERRAZ }
"Para mim, em uma palavra, ele foi mágico. Foi um momento muito rico, muito gostoso de se viver, aquele momento que você diz: “eu quero ficar eternamente assim, nesse estado”.
Eu não só me reinventei, mas eu me resgatei e isso foi muito interessante porque durante cada dia, cada hora, cada segundo que se passava e esses segundos não eram contados em relógios, isso foi mágico. Mais uma vez.
A cada momento que se passava ali eu vi a minha conexão com aquele momento, eu via o quanto eu estava presente ali e esse foi o grande presente para mim mesma e que eu tô muito feliz, mesmo.
Eu entrei de uma forma, saí de outra, e eu acho que esse era o propósito, realmente se desconstruir, e foi muito bom.
Eu tive a oportunidade de me conectar novamente com meu propósito e me reenergizar, poder colocar muitas coisas boas dentro de mim. Memórias incríveis, deliciosas, de frases que eu ouvi de cada um que estava ali do meu lado. Muito bom poder aprender com o outro, poder se identificar com a história do outro, poder ter essa troca.
O que eu posso trazer hoje, no meu dia a dia, é o suporte que eu ganhei de presente, para que eu pudesse fazer um registro, que eu pudesse fazer algo sobre ele ou com ele que registrasse, que pudesse estar ali presente sobre o que vivi no Refúgio.
Hoje eu tenho esse pedaço de tecido, e que é uma roupa, e que tem registros de pequenos momentos e pequenas vivências que eu tive ali. E que isso vai acompanhar comigo sempre.
Pra finalizar, termino com uma pergunta que fechou com chave de ouro para mim: “O que está te faltando aqui e agora?”.

TEMAS DE APRENDIZAGEM
Durante a experiência abordamos temas como: Coragem e o medo do papel em branco; Habilidades para viver o momento presente; Criatividade latente: trabalho e dedicação; Rigidez mental e bloqueios criativos; Arrogância X Empatia criativa; O papel do inconsciente no processo criativo; Ansiedade e conflitos internos; Lampejos: a misteriosa natureza da inspiração; O processo criativo como forma constante de aprendizagem; Criatividade e o papel dos hemisférios cerebrais; Segurança psicológica, aceitação e empatia; Originalidade e singularidade.



QUEM FAZ
Ronaldo Fraga + Mônica Godoy + Daniel Eitan Spach + Miguel Cañas Martins + Jackson Roberto Peixer.
QUEM OFERECE
O Atlas é uma organização proveniente da intersecção de pensamentos de profissionais das áreas do Design e da Arquitetura, atuando em etapas imateriais do processo criativo. É também um laboratório voltado para a experimentação de projetos especiais de empresas e pessoas, interessadas em utilizar ferramentas de imersão para processos de descoberta, consultorias e desenhos de novos produtos, projetos e experiências.
Além disso, potencializa a discussão de formas alternativas de trabalho por meio da promoção de ações de compartilhamento de conhecimento, que discutam e inspirem novos caminhos, mais abertos e interligados, como forma de capacitação, desenvolvimento e transformação pessoal.
VÍDEO PREPARATÓRIO
Durante a fase de divulgação dessa edição, produzimos um video captado durante a visita do time do Atlas aos espaços onde o Refúgio Criativo {2} aconteceria.
REGISTRO DA VIVÊNCIA
O Refúgio Criativo, em sua segunda edição, deixa Minas Gerais e segue se expandindo a partir de cada participante e seus universos singulares, afinal, a experiência amplia-se e ganha novos significados à medida em que nos distanciamos dela.
Queremos agradecer a esse time especial de pessoas que construíram cada passo dessa jornada — muito obrigado, o Refúgio foi construído em cada um de nós!
Esse é o registro de Danilo Xavier, apresentando um recorte do que foi esse encontro:
