A pequena angústia de terminar um livro

Para Além do Inverno deixa lembrança e uma conhecida sensação de desalento

Regiane Folter
Aug 29, 2017 · 2 min read
Photo by Tom Hermans on Unsplash

Quanto melhor é o livro, mais nostálgica eu me sinto quando termino. É quase como se o Epílogo me causasse saudade de tudo que li, da descoberta que foi cada capítulo, das surpresas, risadas e lágrimas. E quando chego no ponto final final, sinto na boca aquele gosto doce por mais uma história no repertório e também amargo, porque essa história terminou.

Quando encontrarei outra tão boa ou até melhor?

Eu gosto muito de ler, mas não gosto de terminar um livro. Acabar gera uma espécie de pequena angústia. Nada irremediável, mas não deixa de ser um desconforto, uma tristezinha. Fecho o livro, e fico uns minutos parada na mesma posição, lembrando, pensando. Reflexiono sobre a trama, os personagens, as respostas dadas e as dúvidas que ficaram e me pergunto

Por que será que o autor não escreveu umas páginas mais?

Só precisava disso, de algumas páginas mais, um pouco mais de contexto, um final mais completo, um pouco mais de tempo pra que eu me acostumasse com a ideia de que ia terminar, pra que eu aceitasse e entendesse melhor o destino dos personagens. De como iam seguir sem mim e eu sem eles. Só que as melhores histórias nunca te dão todas as respostas. As melhores histórias te convidam a ser parte delas e de ficar imaginando o depois.

E como se essa pequena angústia não fosse suficiente, eu ainda sofro dela em menos tempo que a maioria dos outros leitores, porque leio bastante rápido. Anos e anos praticando a leitura em todos os horários, dias e circunstâncias me ajudaram a desenvolver uma aptidão para tragar uma história às vezes até na metade do tempo que outra pessoa. Então embora saiba do fim antes que todos, também antes que todos estou provando o sabor agridulce que deixam os livros geniais.

Talvez soe muito dramático, mas quando falamos sobre livros não consigo evitar. Histórias sempre foram uma parte fundamental de mim e não consigo encarar esse tema com menos seriedade. Se nesse relato estiver faltando um pouco de esperança, te garanto que a recuperação é rápida. Em pouco tempo o desencanto passa, normalmente curada por uma dose potente de chocolate, qualquer atividade para distrair e até mesmo o começo de uma nova história. Porque não há nada tão motivador como estrear um livro novo. Inclusive, já estreei. Cem Anos de Solidão, veremos como será nossa relação.


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Regiane Folter

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