Os melhores conselhos às vezes são os piores
Quem gosta de conselhos?

Eu sempre gostei de compartilhar minhas dúvidas e medos com pessoas queridas e escutar o que elas tinham pra dizer. Conselhos me ajudam a ver outras possibilidades, ou melhor, a não ver tudo tão em branco ou negro. Conselhos nos mostram toda a paleta de cores que existe e através deles é possível ver o mundo pelos olhos de outra pessoa, se você estiver disposto a escutar.
Muitas vezes, não queremos escutar conselhos porque quase sempre eles vêm sem serem solicitados. Ou vão de encontro com nossas crenças. Ou estão revestidos de uma agressividade passiva que machuca. Enfim, um conselho nem sempre parece algo positivo. Mas eu atrevo a dizer que mesmo os piores conselhos trazem algum benefício.
Se é ruim…
Um conselho ruim, quando você se dá conta do quão ruim que é, te traz até um certo alívio. Porque você percebe que já passou por aquele tipo de pensamento, e amadureceu. Já cresceu o suficiente para discernir e saber que ideia aproveitar ou não. A outra pessoa, a que te aconselha, talvez não tenha crescido a esse ponto ou simplesmente não saiba.
Se é ruim, mas você não sabe…
Se o conselho ruim não é identificado, na pior das hipóteses você vai segui-lo e fazer uma cagada. Mas, ao menos, você vai fazer algo (mesmo que seja um erro) e vai aprender disso. Eu sei que essa é uma visão muito otimista, e que no momento que as coisas rolam ladeira abaixo, você vai querer matar o conselheiro infame. Nesse momento, dá uma segurada na raiva e lembre-se que você e só você pode ser responsável pelos seus atos.
Julguemos menos às pessoas que aconselham. Algumas delas não conhecem outras opções além do conselho que elas estão dando. Algumas delas aplicam as mesmas coisas que te dizem nas suas próprias vidas! E algumas delas vivem a la “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço” e tá tudo bem também.
E se é bom (eles existem, acredite)…
O mais importante é escutar o conselho, ver se ele tem algo bom, guardar essa parcela valiosa, e descartar o que não der pra aproveitar. Mas tudo começa com a escuta ativa — e não com a escuta reativa, quando escutamos sem prestar muita atenção, já pensando na resposta brilhante que queremos dar.
Para praticar um pouco esse exercício da escuta ativa, pense no pior conselho que você já recebeu, ou ao menos no último conselho ruim que te deram. Tente lembrar da situação, da pessoa, da sua reação.
Como foi? Como você se sentiu?
Aqui vou compartilhar alguns conselhos da minha lista top -10 para entrar no clima:
“Não adote um gato, são animais traiçoeiros”
“Você deveria trabalhar na Globo, todos os jornalistas querem trabalhar lá”
“Eu acho que você não deveria viajar para o Egito/Turquia/Índia/etc. E se acontece alguma coisa com você lá sozinha?”
“Segundo a revista Veja, (acrescente o que quiser aqui)”
“Homem gosta de mulher que se faz de difícil”
“O seu cabelo ficaria lindo com chapinha!”
E por aí vai.

Alguns desses conselhos foram feitos com a melhor das intenções. Alguns foram feitos com vontade de me deixar meio pra baixo mesmo, embora a gente nunca possa saber com certeza a intenção do outro. De uma maneira ou de outra.
Porque provei alguns desses conselhos, e dei com a cara na parede. Ou vi que na verdade ninguém realmente pensava ou fazia isso e mudei de atitude. E principalmente porque, mesmo com dúvidas ou medos, decidi não seguir a maioria deles e conheci coisas incrivelmente incríveis, tão simplesmente por abrir a mente e ir aonde meu coração queria me levar.
E como discernir um bom conselho de uma cagada?
Talvez a maneira mais eficiente de lidar com os conselhos seja gerando nossa própria técnica para identificar quais valem a pena seguir e quais são furada. Para mim, tudo começa com a pessoa que me dá o conselho. Quando eu decido pedir que me aconselhem, normalmente escolho pessoas que tem uma média de conselhos positivos comigo. E até mais importante que isso, se trata de gente que eu admiro e com quem eu sinto que aprendo ou melhoro.
Também sei que para cada tipo de situação, há uma pessoa indicada para me aconselhar. Tenho uma amiga excelente para coisas do trabalho, outra que me ajuda a ser realista quando sou muito impulsiva, e por aí vai. Conheço suas fortalezas e sei que pedir ajuda para cada uma dessas pessoas têm mais chances de sair bem.
Todo a imagem negativa do conselho muitas vezes é quando o processo acontece ao revés: antes de pedir já tem alguém com algo pra comentar. E nesses casos, eu novamente busco a referência principal na pessoa para saber se devo aplicar o conselho ou não. Se é alguém que, sendo totalmente honesta, não significa muito na minha vida, eu normalmente prefiro ignorar. Sorrir e acenar style, sabe? Agora, se é alguém querido, eu procuro escutar. Sem responder, sem dizer nada ali na hora, somente escutar. Pensar no contexto, na pessoa, no que ela está dizendo e como isso se conecta com a minha vida. Para saber se é um conselho coerente e como me sinto a respeito dele. Porque por mais bem intencionado que seja, no nosso interior a gente pode reconhecer se o conselho em questão é algo que queremos fazer ou não. A gente sempre sabe, porque não há pessoa melhor que nós mesmos para tomar decisões sobre a nossa vida. Simples assim!
Então não se sinta mal se aquela tia te disse algo que você, no fundo, não está de acordo. Ou se seu melhor amigo acha que você deveria atuar de uma maneira completamente diferente do que você acredita. Escute, sim. Avalie suas ações, sim. Lembre-se que eles querem o seu bem. Ótimo!
Mas, no final do dia, a decisão ainda é sua e você tem que fazer o que mais sinta conforto em fazer. Afinal, você é e sempre será o melhor conselheiro que poderia ter.


