Pequenas (grandes) coisas (boas ou más)

Dizem que as pequenas coisas fazem uma grande diferença e é verdade.

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Eu pelo menos acredito nisso. O único probleminha é que muitas vezes terminamos dando mais valor às pequenas coisas que às boas. Não que a gente não note o lado bom e lindo da vida. É lindo reparar nas pequenas coisas positivas que estão ao nosso redor, e também disfrutar e ser grata por cada uma delas. Nesse momento enquanto escrevo, sinto a brisa de outono que entra pela varanda, o chá quentinho, as meias felpudas que afastam o frio, o barulho das patinhas do gato no piso de madeira. Ou seja, nesse instante posso reconhecer pequenas coisas que me deixam mais felizes por estar viva.

Pare um momento e repare. Quantas pequenas coisas boas você consegue contar aqui e agora?

No nosso dia a dia é muito fácil perder-nos desse contentamento tão frágil e concentrar-nos em coisas negativas. As pequenas coisas más têm um impacto muito diferente em como me sinto ou vejo o mundo. Pode ser um comentário maldoso. Uma piada sem graça. A maneira como alguém me interrompeu ou me olhou feio. A falta de paciência ou o excesso de confiança de outra pessoa. A ação de outra pessoa, por mais pequena que seja, que de alguma maneira me fez sentir menor. Pior, estúpida, feia. Alguém que não acredito que sou, mas que com essa pequena ação má me transforma aos olhos do outro.

Você deve estar pensando “mas isso não importa, é só a opinião de outra pessoa. Não é a opinião que você tem de você mesma”. E tem toda a razão. O que está além de mim não deveria ter mais força, não deveria controlar como me sinto. Eu estou 100% de acordo. E é por isso que me frustra ainda mais o fato de que sim, me importa. Sempre me importei. A opinião das outras pessoas sempre teve um grande impacto na minha vida. Muitos de nós precisamos desse reconhecimento constante, dessa aprovação externa. Ou talvez nossos focos somente estejam errados, talvez nossos cérebros estejam errado! Não sei. O fato é que ver o que alguém pensa de mim e saber que está equivocado, me machuca. Ou pior: começar a acreditar que essa pessoa tem razão é mortal.

Não sei como vocês reagem, mas em mim dói. Me ponho na defensiva, não sei o que dizer ou como atuar no momento. Depois, penso naquilo horas e horas, dias e dias até, repassando a situação, e sentindo-me mal de novo e de novo. Fico com raiva, mal humor, termino revivendo a pequena coisa má tantas vezes que ela parece ganhar mais peso, mais músculos, mais vontade de ferir.

Eu detesto ser assim. Mas também sei que brigar comigo mesma só vai fortalecer esse círculo vicioso. Há algum tempo atrás, eu cheguei perto de me odiar pelas coisas que sou. Era e ainda é difícil pra mim me aceitar como sou. Não me culpar pelas minhas debilidades, mas sim apoiar-me nas coisas em que sou boa para melhorar o que não gosto. Para crescer. Ir um passo de cada vez em busca da pessoa que eu sei que já sou, da pessoa que eu amo e admiro e que está aqui comigo, nos meus pensamentos, todo o tempo. Me encontrar e cultivar esse amor-próprio tem sido um caminho tortuoso, mas revigorante. Me sinto muito diferente em relação a mim mesma, vou aprendendo meus limites, conhecendo meus jeitos, acertando e errando e voltando a começar. E essa auto-terapia me ajuda também a reconhecer que o valor que dou às pequenas coisas, boas ou más, está unicamente sob meu controle.

Uma das coisas em que sou boa é em escrever. Por isso, escrevo. Escrevo sobre o que me aflige, organizo as ideias no papel e isso apazigua o que vai no coração. Respiro. Paro um segundo para tomar um gole do chá, sentir o ventinho que entra pela porta aborta, afago o gato. E agradeço por essas coisas. E me permito por um minuto sentir todo o amor que essas pequenas coisas boas transmitem, aproveito o calor que fazem delas detalhes tão especiais na minha vida. Me permito sentir-me privilegiada. Reconheço o valor que as pequenas coisas boas têm. E nesse exercício de deixar a frustração sair enquanto escrevo e permitir a entrada da alegria a través dos detalhes coloridos do meu entorno, me filtro. Mudo, melhoro. Tiro pouco a pouco a carga das pequenas coisas más dos meus ombros e elas vão ficando mais vazias, mais opacas, mais distantes.

Espero que você também tenha um exercício para tirar as coisas más do seu sistema e potenciar as boas. Se não, pode pegar o meu emprestado!

Não se engane: as pequenas coisas más estão aí e que se prestamos atenção somente nelas, os sentimentos ruins vão voltar. Mas a cada dia que passa, melhoramos. Se nos permitimos ser influenciados por sentimentos mais suaves, essas alegrias minúsculas do cotidiano também podem duplicar de tamanho. E assim deveria ser, essas sim deveriam ser mais fortes porque causam um impacto muito mais saudável. Sei que um dia vou ser capaz de ser imune às pequenas coisas más, porque hoje já sou imune a algumas delas. Já não me dobro a sua energia negativa, já sei onde buscar refúgio. São as pequenas coisas boas que nos salvam das coisas nem tão boas assim.


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