Açucar

Gosto de quem vê no vazio. Depois de marcarmos o lugar da construção da casa em Goiás perto de um pau-roxo, Mano cruzou os braços no peito e disse: “aqui fica bom uma janela”. E ficou. A janela fez-se lá tanto tempo depois. Olho o horizonte em Gonçalves e vejo a casa que nem iniciei. Mas sento no chão vendo a linha da varanda. E quase tenho sombra das telhas claras. A projeção espacial é uma maneira de futuro, você avança no tempo com bastante afinidade com seu passado. É uma espécie de saudade, tem trajeto, tem obstáculo. Mas tem o dia em que o olhar estaciona no sonho. Devagar. Dessa maneira a vida encontra com as cores, e a percepção da passagem do tempo vira um copo d’água onde alguém gira uma colher de açúcar.

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